Fábrica de vagões da ALL/Maxion foi desativada
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quinta-feira, 06 de março de 2003
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Curitiba A fábrica de vagões graneleiros instalada em Curitiba no final do ano passado pela América Latina Logística (ALL) em parceria com a Amsted-Maxion já está desativada. O convênio para a produção foi assinado em setembro de 2001 pelo ex-governador Jaime Lerner (PFL) e tinha o objetivo de fomentar a moagem e o transporte ferroviário de soja no Estado, através da redução de custos de fretes. O projeto também reduziria o movimento de caminhões no Porto de Paranaguá.
De acordo com a ALL, o projeto foi suspenso por falta de interessados. Mas a Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA) diz que a fábrica funcionou irregularmente, porque não autorizou o convênio com a Amsted. O chefe regional da RFFSA, Paulo Sidnei Ferraz, mandou ofício à ALL solicitando informações e questionando quanto dinheiro foi envolvido no projeto. ''Se a ALL obteve receita com a fábrica vamos nos credenciar para receber a parte que cabe à Rede'', afirmou.
No ano passado, o Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge) solicitou ao Ministério Público (MP) estadual abertura de inquérito contra a ALL. O Senge havia encaminhado denúncia de que a fábrica funcionava ''só no papel''. O MP não confirmou ontem se está investigando a empresa.
Para a instalação da fábrica, o governo anterior havia oferecido como benefício os créditos tributários do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) das moageiras. As moageiras e outras empresas poderiam usar esses créditos para comprar vagões de trem e ganhariam desconto de fretes da ALL.
A ALL recebeu a concessão federal para explorar a malha ferroviária no Paraná e arrendou os bens da RFFSA em 1997. ''A ALL não tem autonomia para instalar nenhuma empresa sem autorização da Rede'', afirmou Ferraz. Segundo ele, a fábrica só tinha um alvará provisório de funcionamento, que foi cassado pela Secretaria de Urbanismo de Curitiba em 31 de dezembro passado. A linha de montagem funcionava na sede da ALL em Curitiba, no Bairro Vila Oficinas.
De acordo com a assessoria de imprensa da ALL, o projeto pode ser retomado a qualquer momento, dependendo da demanda dos clientes. Ainda segundo a assessoria, não era preciso de autorização da RFFSA para o negócio, porque não alugou nem repassou nenhum bem federal para a Amsted e o convênio firmado foi feito através de contrato de comodato.


