Fábrica de motores Detroit fica no PR
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 17 de fevereiro de 1997
Carmem Murara<br> Sucursal de Curitiba 
O governo do Estado assinou no início deste mês um protocolo de intenções com a fábrica de motores Detroit Diesel Corporation para a instalação da primeira unidade brasileira na região de Curitiba. A empresa norte-americana pretende produzir motores para veículos e caminhões. A empresa deve anunciar oficialmente a instalação no dia 12 de maio, quando diretores da Detroit estarão no País, entre eles Roger Penske. A presença de Penske pode trazer também o piloto Emerson Fittipaldi, que disputou a Fórmula Indy no ano passado pela equipe do empresário (Hogan-Penske).
O anúncio estaria sendo retardado para evitar que haja um maior descontentamento do interior do Estado em relação a investimentos próximos à capital. Até maio, o governo tem planos de divulgar investimentos em municípios do interior. Entre as novidades, estaria a instalação da fábrica de toalhas Teka, em Palmeira, região Sul do Estado, e a Dixie Lalekla, em Londrina.
A Detroit Diesel Corporation ainda não confirmou o local onde pretende se instalar, mas informações do Palácio Iguaçu garantem que ela será erguida em Curitiba. A localização atende a uma exigência dos diretores da empresa. Eles querem a unidade perto da Chrysler, que será erguida no município de Campo Largo, região metropolitana de Curitiba. Justus não confirma a instalação em terreno curitibano, mas admite que a fábrica ficará próxima à Chrysler. Acho que a Detroit não escapa mais da gente, admite o secretário.
A fábrica norte-americana produzirá motores para a Chrysler. A empresa vai fabricar o motor Diesel VM Turbotronic para a picape Dakota, que a montadora produzirá na unidade de Campo Largo. A Detroit fará ainda os motores para o modelo Jeep Cherokee, que será fabricado em Córdoba, na Argentina. Em uma segunda etapa, a Detroit pensa em exportar até mesmo para os Estados Unidos.
A instalação da Detroit no Brasil atende a uma exigência da Chrysler de manter um índice de nacionalização dos veículos. Seu plano é ter pelo menos 60% dos carros montados com peças e equipamentos fabricados dentro do País. A produção da Chrysler deve atingir 40 mil unidades por ano, com início previsto para o final de 98.
Segundo a Secretaria de Indústria e Comércio, a estimativa da Detroit é produzir 400 mil motores por ano. Eles querem iniciar a produção até o final deste ano, afirma Nelson Justus. O investimento da empresa deve ficar em torno de R$ 130 milhões e o número de empregos diretos a ser gerado deve ser de 140.
Justus conta que as negociações com a Detroit começaram no final do ano passado. Um dos diretores da fábrica nos Estados Unidos, Roger Penske, procurou o secretário de Indústria e Comércio para saber sobre a possibilidade de fazer o investimento. O encontro aconteceu em Nova York, onde Justus estava em férias. Depois do primeiro encontro, os diretores da empresa e técnicos da Secretaria de Indústria e Comércio mantiveram diversos contatos por telefone. A aproximação do governo do Estado com a Detroit se deu através da intermediação da montadora Chrysler.


