Curitiba - Os funcionários da fábrica de porcelanas Schmidt, de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, estão com os salários de abril atrasados e ameaçam entrar em greve. O presidente interino do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Porcelana de Campo Largo, Hugo Ruthes, disse que os trabalhadores que recebem até R$ 800 já estão com o salário em dia, mas o restante dos trabalhadores ainda não recebeu o mês de abril. A companhia conta com 600 empregados. Segundo ele, a empresa não explicou o porquê do atraso no pagamento dos salários. O sindicato já levou o assunto para a Delegacia Regional do Trabalho (DRT) para a realização de negociação que foi agendada para 23 de maio.
Ruthes disse ainda que a empresa estaria preparando um processo de profissionalização da administração e que, com isso, deixaria de ser estritamente familiar. A empresa foi procurada pela Folha mas informou que não iria se pronunciar, por enquanto, sobre o assunto.
A Schmidt tem três unidades industriais, uma no Paraná (que produz pratos e travessas), uma em Santa Catarina (que fabrica xícaras e pires) e outra em São Paulo, responsável pela decoração das peças. Só no Paraná, são fabricadas 2,6 milhões de peças por mês.
O setor emprega 6 mil funcionários e conta com 32 empresas em Campo Largo. O presidente do Sindilouça-PR (entidade patronal), José Canisso, disse que o setor de porcelana sofre com a concorrência dos produtos chineses. Ele afirmou que o gás natural utilizado no Paraná é 22% mais caro do que o de Santa Catarina e tem preço 20% superior ao de São Paulo. ''O gás mais caro prejudica as indústrias da área de pisos e revestimentos que concorrem com o Brasil todo'', disse. Mas, ele lembrou que a Compagas vem tentando segurar os repasses. No ano passado, o preço do gás teve uma redução de 2,45% no Paraná.

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