Fábrica de chás secos vai ficar na RMC
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terça-feira, 11 de março de 2008
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Matte Leão vai definir ainda neste mês para onde será transferida a fábrica de chás secos que hoje funciona no bairro Rebouças, em Curitiba. No entanto, a unidade industrial não deve sair do Paraná. Os municípios de Piraquara, Fazenda Rio Grande e Campo Largo, todos na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), estão na disputa final para a escolha do terreno que também vai abrigar, futuramente, uma unidade da linha de chás líquidos, prevista para o final de 2009 ou começo de 2010.
A empresa decidiu manter a fábrica no Paraná apesar de o governo do Estado não ter oferecido nenhum tipo de incentivo fiscal diferenciado. No ano passado, foi ventilada a possibilidade da transferência para Santa Catarina. Como a empresa já tinha divulgado anteriormente, a fábrica de chás secos terá investimentos de R$ 20 milhões e a nova unidade de produtos líquidos vai receber de R$ 10 milhões a R$ 15 milhões.
O diretor geral da empresa, que assumiu o cargo neste ano, Michel Davidovich, disse que a pretensão é que fábrica fique na RMC em local que tenha bom acesso logístico. O prédio do bairro Rebouças não fez parte da venda para a Coca-Cola e, por isso, a partir do próximo mês, a empresa começa a pagar R$ 100 mil por mês de aluguel para a família Leão. O prazo para deixar o prédio termina em março de 2009, data na qual começa a produção da linha seca no novo endereço. A companhia já possui três unidades industriais: em Fernandes Pinheiro (próximo a Irati), na Capital e no Rio de Janeiro.
O diretor de comunicação da Coca-Cola Brasil, Marco Simões Coelho, destacou que a gestão da Matte Leão deve continuar independente da multinacional. Depois que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovar a compra da Matte Leão pela Coca-Cola, há projetos para que os franqueados da companhia sejam chamados para compor a participação acionária.
A compra da Matte Leão pela Coca-Cola ainda está em análise na na Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça e na Seae (Secretaria de Acompanhamento Econômico) do Ministério da Fazenda e depois passará pelo Cade. O gerente de relações institucionais da Coca-Cola Brasil, Maurício Bacellar, disse que até acabar o processo no Cade, não haverá nenhuma proposta de alteração societária.
O balanço financeiro de 2007 da Matte Leão ainda não foi divulgado mas, Davidovich adiantou que a empresa teve crescimento no ano passado apoiado em lançamentos de produtos, aumento da força de venda direta, na abertura de novos escritórios de venda e na ampliação da equipe comercial. Segundo o diretor geral, o chá verde gaseificado Spree tem apresentado resultados positivos de venda. A gerente de marketing da companhia, Simone Bork, disse que o chá verde representa 12% das vendas em volume.
Ao assumir a gestão no lugar do executivo Renato Barcellos Guimarães, Davidovich, pretende fazer um planejamento de longo prazo para empresa. ''Antes da venda para a Coca-Cola, a Matte Leão vinha sendo gerenciada no curto prazo'', disse. A meta dele é aumentar os investimentos em marketing (que inclui mídia e ponto de venda) e informações ao consumidor, infra-estrutura.


