Fábrica de Calmon deve demitir 800
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domingo, 08 de junho de 1997
Agência Estado Salvador 
A maior parte dos 1,4 mil empregados da Refrigerantes da Bahia, empresa controlada pelo ex-banqueiro Ângelo Calmon de Sá, começará a ser demitida hoje, como parte do acordo entre os trabalhadores e o diretor Renato Rêgo. Conforme compromisso firmado pela direção da Coca-Cola, que desistiu de renovar o contrato de franquia com a fábrica baiana, os empregados demitidos deverão ser reaproveitados pela nova empresa que vai assumir as unidades industriais da Refrigerantes da Bahia, localizadas em Simões Filho - região metropolitana de Salvador; Feira de Santana, a 35 quilômetros da capital baiana; e Ibicaraí, no sul do Estado.
Segundo o diretor da Coca-Cola, Marcos Simões, responsável pelas negociações, a fábrica vai ser vendida para um grupo formado por seis franqueadas que operam no Nordeste, entre as quais a cearense Jereissati.
Os primeiros trabalhadores demitidos são os que estão voltando das férias coletivas iniciadas em maio e que já estão com férias vencidas. O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Bebidas do Estado da Bahia (Sindibeb), o Ministério Público e a Delegacia Regional do Trabalho vão acompanhar o processo de demissão que deve excluir mais de 800 empregados.
A Refrigerantes da Bahia está com a produção parada há dois meses, desde que a Coca-Cola cancelou o fornecimento de matéria-prima, além de tampinhas e vasilhames para envasar os refrigerantes. Apenas 30% do quadro total de 1,4 mil empregados continuavam trabalhando nos setores de distribuição, remessa e expedição. A maioria entrou em férias coletivas devido à impossibilidade de produção. Os estoques nos bares e restaurantes vêm sendo repostos por refrigerantes de Sergipe, Pernambuco e Ceará.
A negociação em torno da possível venda da Refrigerantes da Bahia é complicada, na medida em que inclui a avaliação preliminar no Banco Central, já que a empresa faz parte dos ativos do antigo Banco Econômico.
O presidente da empresa, Francisco Sá, já havia reduzido a proposta de venda de R$ 180 milhões para R$ 65 milhões em apenas um ano e meio. Somente com indenizações trabalhistas, o montante estimado do débito da empresa pode chegar a R$ 4 milhões.


