Fábrica de Astorga esquenta pés Brasil afora
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sexta-feira, 18 de julho de 2008
Wilhan Santin<BR>Reportagem Local 
Astorga (80 km a oeste de Londrina) tem 24 mil habitantes de acordo com o censo de 2007 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Cidade tranqüila, boa para se morar, segundo os astorguenses. No entanto, dentro da fábrica de meias Leke, fundada por lá em 1994, o sossego dá lugar a uma produção industrial intensa, com as máquinas funcionando dia e noite e produzindo até 250 mil pares por mês, o que significa, em média, mais de 10 pares de meia para cada morador da cidade.
A fábrica começou com um investimento de R$ 300 mil de um grupo de quatro empresários da cidade ligados ao agronegócio. Mesmo sem experiência no ramo têxtil, eles importaram nove máquinas da Itália, depois de ficar por um mês no país europeu para aprender a operar os equipamentos.
Atualmente, são 25 máquinas produzindo e outras sete já estão em processo de importação. A produção de meias emprega 49 pessoas. Outras 23 vagas são oferecidas pela produção de cuecas - em torno de 30 mil unidades por mês -, uma aposta dos proprietários para diversificar os negócios.
Falando ainda de diversificação, outro produto que ajuda a alavancar as vendas da empresa é a capa para telefone celular em formato de meia. Chegamos a vender 250 mil porta-celulares em 20 dias. Nós fomos os primeiros a fabricar esse produto no Brasil, conta Edson Luiz Gomes, um dos proprietários da Leke.
Segundo Gomes, a distribuição que sai do Norte do Paraná se espalha pelo País. O maior mercado é o Rio Grande do Sul. Os gaúchos absorvem 35% da produção. No Paraná, ficam 30% dos produtos Leke. O restante vai, principalmente, para Mato Grosso, Minas Gerais e Goiás. Uma parceria firmada com a Avon garante capilaridade para outras partes do Brasil, por meio das vendedoras de porta em porta.
O próximo alvo é a exportação. Mostruários dos produtos de Astorga já estão sendo enviados a países europeus. Ainda é um namoro. A padronagem de tamanhos do europeu é diferente do brasileiro. Além disso, o frio por lá é muito mais pesado que o nosso, explica Gomes. No entanto, alguns produtos da empresa paranaense já chegam a outros países, como as meias vestidas por um pequeno time de futebol português e capas de celulares que são enviadas para a Disney World, nos Estatos Unidos.
Questionado sobre os segredos para o sucesso de uma empresa localizada em uma pequena cidade paranaense, Gomes conta que investir na produção de bons catálogos foi fundamental para conquistar o mercado varejista. Outro ponto é a qualidade. As meias Leke são assinadas por grifes como Puramania, Osmoze, Drop Dead e Tropical Brasil. Em 14 anos de trabalho, não tivemos nenhuma devolução de produto, orgulha-se o empresário. Outra coisa importante: nunca produzimos nada pirata. Se quiser, faço uma meia falsificada em minutos, completa.
Acompanhar as tendências de moda também foi fundamental. Desde o início, os empresários de Astorga contam com uma consultoria de moda de São Paulo (SP). Agora, estão contratando uma estilista exclusiva.
Na verdade, o mais difícil foi definir o nosso público alvo. Entramos produzindo meias, mas demoramos quatro anos para descobrirmos qual era o nosso público, que é o pessoal de 14 a 26 anos de idade, finaliza Gomes.


