A fábrica automobilística Chrysler do Brasil está recebendo investimentos da subsidiária da montadora no Panamá, país da América Central, e não da matriz da empresa, que fica em Detroit, nos Estados Unidos. O grupo norte-americano, que leva o nome de Chrysler International Corporation, participa da composição societária da fábrica brasileira com apenas uma ação, o que totaliza um real. O restante do investimento inicial - R$ 3,4 milhões - vem todo da Chrysler Internacional Services, com sede no Panamá.
A Chrysler do Brasil pretende investir R$ 315 milhões para instalar uma unidade de produção do carro Cherokee, no município de Campo Largo (região metropolitana de Curitiba). As obras já estão sendo feitas e há uma previsão de a empresa começar a produzir no final do próximo ano.
O governo do Estado até agora mantém em sigilo os detalhes que foram firmados com a montadora. Até então, a informação divulgada pelo próprio governo era que o investimento na nova fábrica pertencia à matriz do grupo, em Detroit. A descoberta que o dinheiro vem da América Central foi feita pelo senador Roberto Requião (PMDB). Ele teve acesso ao registro da Chrysler do Brasil na Junta Comercial.
Em um discurso na tribuna do Senado, Requião fez críticas ao contrato social da montadora e à política de atração de investimentos do governo do Estado. ‘‘Temos uma sociedade montada às pressas com capital insignificante. Por quê a Chrysler americana usa uma empresa instalada num paraíso fiscal para assumir o controle de uma fábrica instalada no Brasil?’’, questionou o senador.
O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, rebateu as acusações de Requião. ‘‘Para o governo é indiferente quem são os acionistas da Chrysler do Brasil. O que importa é o investimento, que será de R$ 315 milhões’’, afirmou Gionédis. Ele disse que tanto faz ter a fábrica de Detroit ou a do Panamá financiando a empresa brasileira, pois a tecnologia dos carros será norte-americana. Quanto ao capital social de R$ 3,4 milhões, o secretário disse que este é o início do investimento. O volume de dinheiro vai aumentando à medida que a Chrysler consolide o empreendimento no Estado.

mockup