Extensão rural muda e passa a se preocupar também com questões sociais no PR
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quarta-feira, 18 de dezembro de 1996
Da Redação 
A extensão rural do Paraná vem passando por uma reformulação nos dois últimos anos. Depois de 40 anos trabalhando junto ao pequeno agricultor, a Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) decidiu mudar para ficar mais próxima do agricultor e voltar o seu trabalho às reais necessidades do homem do campo.
Hoje, todo o trabalho da Emater é pautado nos planos de desenvolvimento rural que são elaborados com a participação da comunidade, através dos conselhos de desenvolvimento. O plano de desenvolvimento rural não se limita apenas às questões agrícolas, mas abrange também a área de saúde, educação e todos os demais setores que são importantes dentro da área rural do município, explica o engenheiro argônomo Rogério Faucz, presidente da Emater.
Segundo ele, a proposta é promover o desenvolvimento do município como um todo e buscar a melhoria da qualidade de vida do produtor rural. Dentro deste contexto, é fundamental promover um trabalho muito mais abrangente e que não fique limitado apenas à questão agrícola, destaca Faucz. Ele esclarece que a agricultura é importante porque é a atividade econômica que garante o sustento às famílias do campo, mas as demais áreas não podem ser deixadas de lado.
O mais interessante é que o plano de desenvolvimento rural é feito com a participação de lideranças da comunidade, como associação e sindicato de produtores, cooperativas, associação de bairros, representantes de órgãos do governo, entre outros. Como toda a comunidade é envolvida na elaboração do plano, o envolvimento acontece também na execução das tarefas. Assim, cada um assume a sua responsabilidade desde o produtor até os órgãos do governo.
O plano de desenvolvimento rural põe um ponto final nos projetos de gabinete, elaborados de cima para baixo e que chegam no campo já prontos para serem executados, destaca o secretário da Agricultura, Hermas Brandão. Ele lembra que até pouco tempo a Secretaria da Agricultura e a Emater trabalham em cima de projetos que eram desenvolvidos para todo o Estado.
Antes, um mesmo projeto tinha que valer para todos os municípios do Paraná. Agora isto não acontece mais porque é o próprio município quem elabora o seu plano, de acordo com as suas necessidades e potencialidades, explica o secretário.
O presidente da Emater conta que hoje a empresa já tem pronto o plano de desenvolvimento rural de 62 municípios. Eles já estão começando a ser executados e servirão como uma importante ferramenta para os prefeitos que estão assumindo estes municípios em 1º de janeiro. O plano é um diagnóstico completo do município. Nele estão incluídas as principais necessidades do município, os pontos falhos, as áreas potenciais e as expectativas dos produtores, destaca Faucz.
Exemplo De acordo com ele, o trabalho está servindo de exemplo para outros Estados. Este mês, um grupo de 40 prefeitos eleitos do Estado de Goiás esteve no Paraná para conhecer o trabalho de extensão rural. Segundo os prefeitos, o que mais chamou a atenção foi mesmo o trabalho desenvolvido através dos conselhos de desenvolvimento.
Narlon Aguiar de Magalhães, extensionista da Emater de Goiás, que organizou o grupo de novos prefeitos que visitou o Paraná, conta que o Estado foi escolhido para a visita exatamente pelo trabalho de parcerias desenvolvido a partir dos planos de desenvolvimento rural.
Em Goiás, o trabalho de extensão ainda é feito de forma muito isolada, sem a integração das instituições, destaca Magalhães. Segundo ele, hoje a Emater, as prefeituras e demais instituições que trabalham com a população rural já estão conscientizadas de que é preciso somar esforços para se obter algum resultado e por isso estão buscando trabalhar em parcerias, como acontece no Paraná.
Valfredo Perfeito, prefeito eleito de Ipameri, município do Sudoeste de Goiás, contou que o que mais chamou a sua atenção na visita que fez ao Paraná foi exatamente o trabalho em parceria realizado pela Emater e outros órgãos com as entidades da população rural. Um produtor organizado tem muito mais chances de reivindicar e buscar os seus direitos, observa Perfeito.


