O uso de sistemas agroflorestais, para uma produção totalmente orgânica e que garanta a permanência das famílias no campo, é uma das novidades na edição deste ano da Expotécnica da Sabáudia
O uso de sistemas agroflorestais, para uma produção totalmente orgânica e que garanta a permanência das famílias no campo, é uma das novidades na edição deste ano da Expotécnica da Sabáudia | Foto: Ricardo Chicarelli/14-06-18

A 26ª Expotécnica começa nesta quarta-feira (3), em Sabáudia, e reunirá mais de 4 mil pequenos agricultores e profissionais do agronegócio em busca de demonstrações de soluções para o campo. Organizada pelo Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural) e pela AAERFAS (Associação dos Agricultores e Empreendedores Rurais e Familiares de Sabáudia), a feira busca promover o desenvolvimento rural sustentável e apresentar novidades que garantam a permanência das famílias no campo. O tema do evento é “Aqui o rural do Paraná é mais” e vai até sexta-feira (5), no Sítio São José, de Cláudio d'Agostini.

O secretário de Estado de Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, e o vice-governador Darci Piana estarão no primeiro dia da Expotécnica. Eles participarão também de uma das visitas guiadas pela propriedade Terraplanta, para conhecer o trabalho considerado modelo na produção agroflorestal e orgânica.

São mais de 130 empresas e entidades parceiras, no que é considerado o quarto maior evento técnico do ano, atrás apenas do Show Rural Coopavel, da ExpoLondrina e da Expoingá. O gerente da Macro Norte e da regional de Apucarana do Emater, Cristovon Videira Ripol, afirma que se trata também da maior feira voltada a pequenos produtores do País, com presença confirmada de agricultores de cem cidades da região. “Teremos 300 profissionais de todas as áreas, aqui, seja de grãos, de hortifrúti ou de inovação.”

Ripol lembra que o Paraná está no pódio entre os principais estados em várias culturas, como grãos (2º), aves (1º) e suínos (2º), mas é também o mais diversificado, justamente pelo grande número de agricultores familiares. “O problema é que podemos dizer que fazemos agricultura por aqui há duas gerações e nos questionamos se esse trabalho será sustentável pelas próximas décadas, para manter as próximas gerações no campo”, diz.

Com o amplo domínio sobre o maquinário e tecnologia nos últimos 20 anos, ele conta que ainda é preciso garantir o mesmo controle na relação com o solo, a água, o clima e os micro-organismos. “Vamos demonstrar vários modelos, desde como o agricultor pode receber uma grande quantidade de chuva na propriedade sem que escorra um grão de solo, como resolver o problema das formigas cortadeiras, até um modelo de produção de tomate totalmente orgânico”, afirma o gerente do Emater.

Outros temas são o manejo integrado do solo e da água, a cobertura de solo, o consórcio milho safrinha e brachiaria, olericultura e a produção de mandioca, café e leite, sempre com baixo impacto ambiental. A feira conta com a parceria de representantes de órgãos e empresas públicas, de instituições de ensino, de pesquisa agropecuária, de cooperativas e sindicatos.

Programação

A Expotécnica conta com um espaço para a exposição e comercialização de produtos agroindustriais da região e o último dia da feira será dedicado exclusivamente à realização de negócios. O visitante também terá a oportunidade de conhecer as ofertas de um mercado de equipamentos usados.

Na quinta-feira (4) haverá um Encontro de Mulheres, para discutir o potencial feminino no campo e no desenvolvimento social. No dia seguinte, a Cocamar será responsável por uma Manhã de Campo sobre o plantio de trigo e milho, com os principais híbridos disponíveis para a safra de inverno. O Instituto promoverá também o Seminário de Fruticultura do território Vale do Ivaí. A Expotécnica funcionará sempre das 8h às 17h.

Sistema agroflorestal é incluído no calendário

O uso de sistemas agroflorestais, para uma produção totalmente orgânica e que garanta a permanência das famílias no campo, é uma das novidades na edição deste ano da Expotécnica da Sabáudia. O responsável pela propriedade Terraplanta, Eduardo Carriça dos Santos, oferece cursos para quem deseja conhecer mais sobre o tema e é um dos organizadores do Projeto Safe (semeando Agrofloresta nas Escolas), para estudantes da rede pública.

“Queremos mostrar que é uma oportunidade usar a agroecologia para o agronegócio. Como é difícil o contato com produtores, é nos eventos que temos a oportunidade de difundir o sistema”, explica.

A propriedade dele, que fica entre Sabáudia e Arapongas, tem quase dez hectares. A metade da área conta com hortifrútis e está estabilizada, com toda a produção voltada para o refeitório de um grupo de fábricas de móveis da região. Na outra metade, Santos conta que entrou em um sistema voltado a áreas maiores, com cultivo por maquinário, menor uso de mão de obra e produção maior pela maior recuperação do solo. Nesse segundo espaço, o plantio é de café, limão, abacate, mamão e eucalipto.

Ao todo, são 15 culturas que funcionam e que podem ser combinadas com outras. “Mostramos que é possível plantar hortifrúti para ter no mínimo quatro colheitas para fonte de renda antes de ter renda com café ou palmito juçara”, diz Santos. “Para larga escala, é possível plantar uma linha de árvores e, nas linhas do meio, café e mamão. Entre ambos, capim-mombaça, que não gera renda, mas parte do sistema”, complementa. (F.G.)

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