Carmem Murara
De Curitiba
Os expositores e comerciantes que montaram estandes na Feira do Paraná, na esperança de aumentar o faturamento mensal, se dizem frustrados com o volume de negócios fechados até agora. Eles reclamam que não vão conseguir vender nem a metade do que comercializaram no ano passado, até amanhã, quando termina a exposição. As críticas são endereçadas à Eco Show, empresa que pela primeira vez terceirizou a administração da feira do governo do Estado. Os comerciantes ameaçam até entrar com uma ação na Justiça sob alegação de que foram enganados.
O protesto ganhou força ontem sob o comando de uma das expositoras, a dona da loja Messer, Ivânia Zimmermann. ‘‘Isso aqui está uma bagunça. Não é feira agropecuária coisa nenhuma, pois não tem nem maquinário agrícola para vender e caiu muito o número de animais’’, protestava. Há oito anos ela expõem em feiras e diz nunca ter visto tamanha desorganização. Sua revolta ia desde o espaço destinado a ela até o preço que pagou para expor.
O dono da selaria Santa Rosa, Carlos Roberto Muniz, também estava frustrado com os negócios da feira. Com sua loja montada nos fundos da arena destinada aos shows musicais, ele contabilizava o prejuízo. ‘‘Vou vender 50% do que vendi no ano passado, pois tem muito estande vendendo a mesma coisa do que eu’’, reclamava. Há 30 lojas country aqui e ninguém vende nada’’, protestou.
Ivânia também estava descontente com o faturamento. Ela disse que vai encerrar o trabalho de dez dias com R$ 600 no bolso, enquanto gastou R$ 2,4 mil para conseguir o espaço na feira. Além dos dois, os demais comerciantes alojados entre os pavilhões B e C ou próximos às baias dos animais fizeram reclamações. A maioria, no entanto, preferiu manter o nome em sigilo, pois temem retaliações. A revolta geral era contra o excesso de lojas e lanchonetes com a mesma oferta de produtos.
A maior parte das reclamações se concentrara na ala dos pavilhões B e C. Nos primeiros dias, eles chegaram a receber um documento assinado pelo ex-deputado Horácio Rodrigues, irmão dos donos da Eco Show, que autorizava os descontentes a se retirarem da feira, desde que aceitassem bancar o custo mínimo de R$ 500. A Eco Show diz que investiu R$ 3,5 milhões para organizar a feira e, assim como os expositores, ela tem um contrato de risco na Feira do Paraná.
Um dos sócios da Eco Show, Antonio Rodrigues, admite que houve protestos, mas assegura que isso é normal e que o problema está controlado. ‘‘Todo ano é a mesma coisa. Eles vendem menos do que esperavam e aí querem descontar na gente. Quem saiu no começo tudo bem, agora querer tirar vantagem no final da feira, aí não’’, reclamou. Rodrigues disse que a feira tem 50 expositores de roupas de couro contra 46 do ano passado, o que comprova que não houve aumento exagerado no número de lojas. No geral, foram montados 370 estandes contra 200 de 1998.

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