Expositores do Show Rural prevêem queda nos negócios
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006
Mara Vitorino<br>Especial para a Folha 
Os expositores de colheitadeiras, tratores e implementos agrícolas iniciaram o primeiro dia do Show Rural da Cooperativa Agropecuária Cascavel (Coopavel), em Cascavel (cidade pólo/Oeste), com estimativas nada otimistas. O setor, que já foi o filão de movimentação financeira do evento, está receoso e não acredita repetir sequer os números de 2005, que já teve uma retração de 30% em relação a 2004. O motivo é a desvalorização dos preços internacionais das principais commodities, a queda do dólar frente ao real e os problemas fito sanitários que afligem o Paraná e o Mato Grosso do Sul.
A gerente do Banco do Brasil (agência Show Rural), Rosemar Fausti, diz que a instituição levou um grande volume de recursos com 16 linhas de crédito para investimento agropecuário, em especial para colheitadeiras, tratores e implementos, mas mesmo assim está realista. ''Nós temos consciência de que este ano, assim como em 2005, será difícil para agricultura. Esperamos vender, temos crédito, mas estamos preparados para tudo, inclusive para o baixo volume de negócios''.
Para multinacionais do setor, a situação também não é diferente. O gerente divisional de Vendas da John Deere, Paulo Kowalski, disse que no ano passado o setor amargou um de seus piores anos, mas que não dá para comparar o desempenho daquele período com o ''boom'' de vendas verificado em 2002, 2003 e 2004. ''Em 2004, vimos a soja chegar a R$ 53,00 e tivemos um grande volume de negócios, com a renovação da frota do campo. No ano passado já foi difícil, as vendas despencaram até 70%. Este ano é diferente, mas estamos aqui porque acreditamos na força do campo e no agricultor e também na importância deste evento no cenário nacional''.
Ao fazer um parâmetro das vendas, o gerente divisional citou ainda dados da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que no balanço do ano passado registrou uma retração de 38,5% na comercialização interna de máquinas agrícolas. Segundo dados da Anfavea, as vendas internas de tratores somaram 17,729 mil unidades no ano, com retração de 38,4% e as de colheitadeiras tiveram recuo de 72,6%.
Ele comenta que os tratores foram os menos afetados pela crise agrícola do ano passado, por serem utilizados nas lavouras de café, cana-de-açúcar e laranja. Os dados levam em consideração a mudança do IPI dos tratores de 5% para zero, divulgado pelo governo no final do ano.
Mesmo com a crise, grandes empresas do setor de colheitadeiras, implementos e tratores trouxeram para a feira produtos de ponta para agricultura de alta precisão (via satélite), tratores de alta potência, colheitadeiras com sistema de piloto automático com todo o conforto ao operador. Para vender é necessário muita estratégia e olho no mercado futuro, como explica o gerente de Marketing da Case, José Bueno, ''estamos nos preparando para uma mudança no mercado e estamos investindo em equipamentos para culturas em ascensão'', diz ele, ao falar de uma colheitadeira de cana de açúcar, que custa R$ 700 mil. ''Hoje 70% dos carros novos vendidos já têm motor flex e temos que olhar para este mercado''.
Já a John Deere investiu numa linha de plantadeiras para pequenas propriedades, operação de precisão e rendimento em condições adversas do terreno. ''A produção começa no plantio. É necessário investir nesta fase para conseguir produtividade'', diz o gerente divisional de Vendas da John Deere, Paulo Kowalski.


