São Paulo - Neste período de safra de leite, com o mercado interno abastecido, exportar leite pode ser a saída para os produtores que estão vendo o preço no mercado interno despencar desde a deflagração da crise da Parmalat. ''O preço externo está bom e tem demanda'', afirma o empresário Alfredo de Goeye, presidente da empresa de comércio exterior Sertrading, que é dona de uma trading especializada na exportação de lácteos, a Serlac.
Quando estourou a crise da Parmalat e os problemas com pagamento aos produtores, Goeye apresentou uma proposta ao ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, para canalizar a produção para o mercado externo.
Porém, para que a produção das regiões mais afetadas com a crise da Parmalat, como Santa Helena, em Goiás, e Itaperuna, no Rio de Janeiro, chegue ao exterior, é preciso um mínimo de industrialização do leite - para que ele seja transformado em leite em pó, condensado, evaporado ou longa vida ou manteiga. ''Há uma dificuldade em transportar o leite dessas regiões para outras plantas. As fábricas próximas estão em plena capacidade'', afirma o empresário.
Como até o momento a Parmalat não demonstrou interesse em vender nenhuma de suas fábricas e, no momento, está impedida pela Justiça de se dispor de ativos, uma alternativa, segundo Goeye, seria ''o arrendamento das unidades'' da empresa, sobretudo aquelas localizadas no Rio e em Goiás. Para isso, no entanto, seria necessário uma intermediação do governo federal.
''Exportar é pode ser uma solução boa e rápida. Temos acesso ao mercado externo e teríamos onde colocar o produto'', afirma Goeye. ''Ao invés de deixar a fábrica parada ou quase parada, o governo pode ajudar, nem que seja temporariamente, para botar o produto pra rodar.''
Segundo o empresário, as fábricas da Itambé e das outras associadas da Serlac ficam muito distantes dos produtores de Goiás e do Rio. ''O custo para transportar o produto é muito alto.''
Na próxima terça-feira, o ministro Roberto Rodrigues terá uma reunião com representantes do setor para encontrar uma solução para os problemas decorrentes da crise da Parmalat. ''A proposta de exportação é boa, mas é uma entre tantas que estão sendo consideradas'', afirmou o ministro Rodrigues à reportagem.
Até pouco tempo atrás, o Brasil era um país importador de leite. Há dois anos e meio, porém, o quadro mudou. Fundada em meados de 2002, fruto de uma parceria entre a Sertrading e um grupo de produtores (Itambé, Cooperativa Central de Leite, Confepar, Embaré e Ilpsia), a Serlac encerrou o ano de 2003 com uma exportação de US$ 10 milhões. Isso equivale a pouco mais de 15 mil toneladas de produtos lácteos. A maior parte desse volume foi destinada ao Iraque, dentro programa Food Donation da Organização das Nações Unidas. Outros destinos incluem o norte da África e a América Latina.
Para 2004, segundo Goeye, é exportar US$ 30 milhões. ''Este ano nossa meta é conquistar o México, maior importador de leite do mundo'', diz Goeye.

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