Exportar para fechar no azul
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 06 de abril de 2016
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
Líder mundial na produção de implementos agropecuários, o grupo francês Kuhn aposta na produção de equipamentos em solo paranaense para fomentar suas exportações e driblar o arrefecimento do mercado de maquinários agrícolas brasileiro. Há dois anos, a empresa adquiriu a Montana Indústria de Máquinas, em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba), e com uma planta fabril com 435 colaboradores, produz implementos de pulverização e autopropelidos de diversos modelos. Como a economia nacional não anda ajudando, o planejamento estratégico deste ano está focado na fabricação no Paraná e comercialização em outras partes do mundo.
O presidente mundial da empresa, Thierry Krier, e o diretor geral da Kuhn do Brasil, Mario Wagner, entre outros representantes da multinacional, estiveram ontem no Parque de Exposições Ney Braga, na véspera da abertura da ExpoLondrina, para conhecer o estande da Tork, concessionária da marca na cidade. Eles conversaram com a reportagem da FOLHA e apontaram alguns objetivos para o desafiante ano de 2016. Além da planta em São José dos Pinhais, a empresa ainda conta desde 2005 com uma fábrica em Passo Fundo (RS), com implementos focados em plantio e fertilização. No ano passado, os franceses fecharam com um faturamento global de um bilhão de euros.
O presidente Thierry Krier comentou que "depois de três anos de boa movimentação econômica no País, está se findando um ciclo, mas que deve se recuperar nos próximos anos". "Fizemos um bilhão de euros de faturamento em 2015 e nossa expectativa para este ano é de estabilidade. O objetivo da empresa é que 15% das nossas vendas mundiais venham da América Latina. Para atenuar este momento difícil do mercado, buscamos sempre a criação de novos equipamentos".
O diretor geral da Kuhn Brasil, Mário Wagner, salientou que a planta de São José dos Pinhais pode fechar 2016 com um crescimento de 5% a 10%, mas para isso a empresa terá que galgar os mercados internacionais. "Chegamos no Brasil para sermos grandes, mas neste momento a crise é para todos. Estamos criando alternativas de produtos e mercados, principalmente para a exportação. Como o mercado nacional está reprimido, estamos comercializando equipamentos de pulverização na Ucrânia, Rússia, Austrália, entre outros. Assim, pode-se esperar um leve percentual positivo na planta paranaense. Já em Passo Fundo, que é uma fábrica mais voltada para o plantio, a queda deve chegar a 30%", estimou.
Parceiros
Por fim, o diretor comentou que a Kuhn olha para o Paraná de forma diferenciada, já que a demanda por equipamentos da marca é grande e os produtores investem em tecnologia. "Temos grande parceiros aqui no Estado e em Londrina, como a própria Tork e também a cooperativa Integrada".
O proprietário da concessionária Tork, Wilson Nadi, relatou que apesar do desaquecimento do mercado nacional, a procura pelos pulverizadores de autopropelido está em crescimento. "Quem não possui um equipamento deste atualmente, infelizmente, está fora da competição. Além disso, temos uma linha de crédito própria que vai nos ajudar muito, vendo que a situação dos bancos não é favorável. Ainda estamos com este juro de 7,5% para financiamentos, e principalmente preços excelentes de soja e milho, commodities que o produtor de nossa região aposta. Eles precisam deste tipo de equipamento e certamente vão buscar opções de pulverizadores. Eu acredito em crescimento, pelo menos neste segmento".


