Lu Aiko Otta
Agência Estado
O novo ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, assume o cargo hoje com uma prioridade: aumentar as exportações de produtos agrícolas brasileiros, acelerando as negociações para eliminar subsídios aos produtos. Foi o que disse o futuro secretário-executivo do Ministério, Márcio Fortes de Almeida. ‘‘Existe um cronograma para o fim dos subsídios à agricultura, mas é preciso acelerá-lo’’, comentou. ‘‘Eles prejudicam nossas exportações não só para os países protegidos, mas também para terceiros mercados. ‘‘Segundo Almeida, o Ministério da Agricultura é responsável por 40% da pauta de exportações do País. A orientação do presidente foi muito clara: nosso enfoque agora será voltado fortemente para o comércio exterior’’, comentou. É com essa filosofia que será montada a equipe de Moraes. ‘‘Vamos conhecer as pessoas que estão lá e, dependendo do perfil, elas serão mantidas ou substituídas’’, disse ele.
Diplomata de carreira, Almeida é assessor de Moraes há 30 anos e o acompanhou nas duas passagens dele pelo governo - no Ministério da Indústria e Comércio, no governo Ernesto Geisel, e no das Minas e Energia, no governo Fernando Collor de Mello. Mais recentemente, Almeida foi relator do grupo do Fórum Empresarial das Américas, que tratou das questões relativas aos subsídios.
Moraes e Almeida levarão para a Agricultura uma longa experiência na área de comércio exterior. Atualmente, eles ocupam, respectivamente, a presidência e a vice-presidência da Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB). Almeida é também membro da Agência de Promoção às Exportações (Apex). ‘‘Lá
temos um grupo estudando medidas para estimular a exportação de frutas’’, lembrou.
Em junho, durante visita à Argentina, antes da reunião de cúpula entre os países do Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul) e da União Européia (UE), o presidente Fernando Henrique Cardoso atacou os subsídios agrícolas praticados pelos países da Europa. O governo francês ameaçava condenar a reunião de cúpula ao fracasso, ao se recusar a discutir os subsídios à agricultura.
‘‘Acho que a Europa tem hoje, diante de si, uma decisão importante: saber se quer continuar cuidando de seus subsídios para manter intocada uma situação agrícola, ou se está disposta a jogar um papel mais forte no mundo’’, observou o presidente, na ocasião.

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