RioOs exportadores brasileiros temem não receber US$ 1,5 bilhão em operações de exportações já efetivadas para a Argentina, disse há pouco à Agência Estado o diretor da Associação de Comércio do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Ele considera ‘‘estranho’’ que o Banco Central ainda não tenha adotado uma ‘‘posição cambial’’ sobre a situação das empresas que exportaram para aquele país. ‘‘Os exportadores estão sujeitos a penalidades caso as divisas não entrem no Brasil dentro do prazo, mas a situação é extraordinária’’, argumentou.
Castro explicou que os atrasos nos pagamentos dos importadores argentinos tiveram início em junho, com o agravamento da recessão, mas se intensificaram desde o início de dezembro, após as medidas do ex-ministro Domingo Cavallo de seleção de pagamento de dívidas. Para Augusto de Castro as pequenas e médias empresas que foram estimuladas a exportar para o país vizinho desde o início do Mercosul deverão ser as mais prejudicadas, pois têm maior dificuldade de crédito e por isso podem ter problemas de caixa.
As exportações brasileiras para a Argentina deverão cair para no máximo US$ 3,5 bilhões neste ano, após atingirem US$ 5 bilhões no ano passado, em queda já significativa ante 2000 (US$ 6,2 bilhões), estima Castro.
O empresariado na Argentina recebeu bem o convite do presidente Eduardo Duhalde para a formação de uma ‘‘aliança’’ entre o governo e os setores produtivos, embora esboçando uma certa cautela. O discurso pareceu apropriado, mas, antes de dar uma opinião definitiva, os empresários querem ver o pacote de medidas econômicas, cujo anúncio foi adiado para amanhã, mantendo o país todo em suspense.
‘‘O mais importante para nós é a modificação da aliança, que antes era com o setor financeiro, e agora passa a ser com o setor produtivo’’, disse Cesar Torturella, vice-presidente da Confederação Geral Empresarial, que representa as pequenas e médias empresas. A anterior ‘‘aliança com o setor financeiro’’, à qual se referiu o presidente, consistiu, no entender de Torturella, na prioridade dada pelo governo ao pagamento dos juros ‘‘altíssimos’’ da dívida: ‘‘Durante mais de dez anos, tivemos paridade entre o dólar e o peso, mas, mesmo assim, pagávamos juros de no mínimo 24% ao ano, quando noutros países era de 5% ou 6%.’’

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