São Paulo - A reclamação é geral. Um dos principais problemas enfrentados hoje pelos exportadores é a falta de contêineres de 20 pés (6 metros) e 40 pés (12 metros) nos portos brasileiros. O aumento do volume das exportações em velocidade muito maior do que as importações provocou um desequilíbrio no fluxo de contêineres para o Brasil.
Ou seja, os navios trazem menos contêineres do que seria necessário para atender à demanda. Os armadores procuram suprir a deficiência preenchendo espaços ociosos nas embarcações com contêineres vazios. Quem precisa deles tem de enfrentar filas e deixar a carga no chão por mais tempo do que o desejado ou até deixar de exportar.
O diretor de Planejamento da Câmara Brasileira de Contêineres (CBC), Jorge Almeida, explica que 90% da produção de contêineres está concentrada na Ásia, principalmente na China. No Brasil, a produção local não compensa por falta de escala que torne o custo competitivo em relação à Ásia. Tanto que só existe hoje uma fábrica no País: a Paulista Containers Marítimos, do grupo inglês Sea Containers (SeaCo), em Santos (SP).
A CBC, que divulga dados da consultoria Centronave-Datamar, informa que o Brasil movimentou no ano passado 4,317 milhões de TEUs (unidade de contêiner de 20 pés). A expectativa dos operadores do setor é elevar em pelo menos 10% o movimento este ano, fator que deve agravar a falta generalizada de contêineres este ano.
A China é também a causadora do ''sumiço'' de contêineres dos mares do sul, já que o país asiático tem tido alto crescimento industrial e alta demanda por carga. Para atender aos pedidos chineses, os armadores direcionam navios e contêineres para a Ásia.
Ele afirma que não importa muito em que país os contêineres são fabricados, uma vez que esses equipamentos ficam mesmo em trânsito. ''A fabricação no Brasil não resolveria o problema; os contêineres migrariam para onde há maior comércio marítimo, e não é o caso do Brasil.'' O presidente da Docenave (transportadora marítima da Companhia Vale do Rio Doce), Carlos Ebner, concorda que o Brasil não tem escala que sustente a produção de contêineres marítimos para uso local.

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