Brasília
A desaceleração da economia será o principal fator de redução do déficit comercial no próximo ano. A previsão foi feita ontem pelo diretor da Associação dos Exportadores Brasileiros (AEB), José Augusto de Castro. As projeções da AEB, segundo ele, estimam que o déficit comercial será reduzido dos US$ 8,6 bilhões estimados para este ano para US$ 2,8 bilhões no ano que vem.
‘‘Infelizmente, a queda no déficit comercial não ocorrerá por um aumento das exportações, mas por um declínio da atividade econômica’’, ponderou Castro, em entrevista à TV Globo. As exportações, neste cenário, aumentariam 5% e alcançariam mais de US$ 55 bilhões, enquanto as importações se restringiriam a uma expansão de 6%, fechando o próximo ano com compras inferiores a US$ 58 bilhões. A queda na produção industrial esperada para o próximo ano também se refletiria na compra de máquinas e equipamentos, que poderá ser reduzida em US$ 2,6 bilhões, ainda segundo dados da AEB.
José Augusto Castro defendeu uma aceleração das desvalorizações do real frente ao dólar norte-americano como medida alternativa à recuperação das exportações. Segundo ele, o governo poderia passar dos atuais 0,6% a 0,7% para 0,8% a 0,9% as desvalorizações mensais. ‘‘Uma midi ou maxi não seria recomendável, porque teria um efeito psicológico ruim’’, comentou o diretor da AEB.
Uma aceleração nas desvalorizações, na sua opinião, garantiria uma recuperação das exportações sem que fosse notada pelo público. ‘‘Este movimento seria percebido apenas pelos exportadores’’, ponderou.

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