Agência Estado
De São Paulo
O Brasil deverá apresentar avanço significativo nas exportações em 2000, após o processo de recuperação de mercados observado a partir do final do primeiro semestre de 99. A avaliação é do empresário Antonio Ermírio de Moraes, do Grupo Votorantim, que deverá exportar cerca de US$ 500 milhões no próximo ano.
Importantes executivos também acreditam nesta indicação. O presidente da Arteb, tradicional fabricante de autopeças, Pedro Ebehardt, e o vice-presidente do Bradesco, Antonio Bornia, confiam na ampliação do mercado externo para o País em 2000. Para Bornia, o aumento na liberação de contratos de Antecipação de Câmbio, os ACCs, em dezembro, dá esta sinalização.
Setores como o de celulose e papel devem avançar significativamente, tanto em volume como em preço. A partir de amanhã, o preço da celulose no mercado internacional estará em US$ 620 a tonelada, contra US$ 590 de agora, segundo informa o consultor especializado da área, Carlos Alberto Bifulco.
As principais exportadoras brasileiras de frango também começam chegar à China, por meio de Hong Kong. Além disso, as exportações de automóveis poderão ser ampliadas para o Chile e para países como a Austrália. A Ford, por exemplo, já está iniciando as exportações para a Austrália, com possibilidades de ampliação, disse o diretor da montadora, Célio Batalha.
O aumento das exportações de automóveis, por sua vez, é seguida pela de autopeças. Segundo o presidente do Conselho da Mahle Metal Leve, Franz Reimer, as grandes companhias nacionais de componentes estão se preparando desde o segundo semestre de 99, para chegar com mais força aos mercados dos Estados Unidos e Europa. Reimer citou os casos da Mahle Metal Leve, Robert Bosch e Cofap, além da Arteb, que já iniciou a colocação de seus produtos nos dois mercados.
As exportações de bens de capital também poderão ser ampliadas em 2000, na avaliação do presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e da Indústria de Base (Abdib), José Augusto Marques. Para ele, há uma realidade cambial agora que permite projetar aumento das exportações. A empresa Bardella Indústrias Mecânicas, que havia deixado de exportar porque o real estava sobrevalorizado, já está atento às novas oportunidades do mercado internacional. Segundo o presidente da companhia, Claudio Bardella, quando o real estava sobrevalorizado, exportar até significava prejuízo na área de bens de capital sob encomenda.
Os exportadores brasileiros também esperam melhora do relacionamento comercial com a Argentina, no Mercosul. No entanto, os exportadores não confiam que isto ocorra pelas leis do mercado, pois, acreditam, há uma grande barreira entre os dois países em razão das diferenças da política cambial. O Brasil tem um câmbio flexível, enquanto o câmbio da Argentina tem paridade com o dólar. ‘‘Assim não dá para conversar, fica muito díficil. De qualquer forma, os dois países tentarão fazer acordos’’, disse à Agência Estado o secretário da Organização da ONU para o Comércio, a Unctad, Rubens Ricúpero. Diante das dificuldades do Mercosul, disse Ricúpero, os exportadores brasileiros buscam outros mercados.
Para o presidente da Perdigão, Nildemar Seches, ‘‘é difícil ampliar as vendas externas’’. Mas ele aposta que, com persistência, é possível aumentar as exportações, já que os produtos brasileiros ‘‘são competitivos’’. ‘‘Enfrentamos barreiras lá fora, bem fortes. Esta persistência vai resultar em mais exportações’’, avaliou Seches. A Perdigão exporta frangos para vários países.