Exportadores planejam ir à OMC contra a China
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terça-feira, 15 de junho de 2004
Fabíola Salvador<br>Agência Estado 
Brasília - Sem um acordo que permita a retomada da venda de soja do Brasil para a China, os exportadores brasileiros poderão aliar-se aos americanos e argentinos e mover um processo (painel) contra os chineses na Organização Mundial do Comércio (OMC). A idéia, segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Carlo Lovatelli, é forçar Pequim a fixar critérios para importação do grão e obrigar aquele país a cumpri-los. ''Estamos estudando de forma concreta, junto com os Estados Unidos e a Argentina, uma maneira de questionar o posicionamento da China em terreno internacional, na OMC'', afirmou.
A governo brasileiro recebeu ontem a confirmação oficial de que a China suspendeu as importações de soja brasileira fornecida por mais 15 empresas, totalizando 23 tradings impedidas de vender. Nesse grupo estão as quatro principais: ADM, Bunge, Cargill e Dreyfus. A justificativa é que havia mistura de sementes de soja tratadas com fungicidas em carregamentos enviados ao mercado chinês.
Lovatelli reuniu-se com o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Maçao Tadano e contou que já fez contatos com representantes de exportadores de soja dos Estados Unidos e da Argentina. ''Existe simpatia pela idéia. Americanos e argentinos sabem que a China pode barrar as importações de soja desses países, alegando problemas técnicos apenas como forma de rever contratos'', explicou Lovatelli. ''Hoje é o Brasil, mas em agosto e setembro, quando os americanos entrarão no mercado, a bola da vez pode ser os Estados Unidos'', completou.
Se a China mantiver o embargo à soja brasileira as estimativas para a balança comercial do agronegócio poderão cair de forma significativa, alertou Lovatelli. Ele não citou valores, mas disse que a projeção atualizada divulgada na segunda-feira pela Abiove de receita cambial do complexo soja de US$ 9,868 bilhões em 2004 ''é muito otimista''. ''Com as restrições de compra da China, já reduzimos em US$ 1 bilhão a estimativa de faturamento com as exportações. Sem uma solução rápida, a queda será ainda maior'', disse ele.


