Exportadores negociam soja com europeus
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quinta-feira, 17 de junho de 2004
Fabíola Salvador<br> Agência Estado 
Brasília - Algumas cargas de soja recusadas pelo governo da China estão sendo negociadas com o mercado europeu, disse ontem o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove), Carlo Lovatelli. Ele não citou valores da negociação, mas enfatizou que o mercado europeu é exigente na importação de soja, o que sinaliza que o grão brasileiro tem qualidade. O comportamento dos europeus é uma resposta aos chineses, que recusaram nas últimas semanas carregamentos da soja brasileira alegando mistura com sementes tratadas com fungicidas.
Na última semana 32 navios carregados com soja nacional estavam a caminho de portos chineses, carregando 1,5 milhão de toneladas. Parte desses navios poderá ser redirecionada para a Europa.
Lovatelli reafirmou que o setor já teve prejuízo de US$ 1 bilhão com o embargo chinês ao produto brasileiro, mas disse ainda que a China não tem outra opção, além de voltar a comprar soja brasileira. Segundo ele, não há outro país no mundo que tenha capacidade de atender à demanda do mercado chinês, que importou no ano passado 24 milhões de toneladas de soja em grão.
O embaixador do Brasil na China, Afonso Celso Ouro Pretto, confirmou que a missão brasileira que está viajando hoje para aquele país será recebida na segunda-feira por autoridades do Ministério da Quarentena.
Outros contatos serão feitos com autoridades dos Ministérios da Agricultura e do Comércio, na terça e quarta-feira. A informação foi dada ontem pelo secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Maçao Tadano.
De acordo com o secretário, a China insiste que aspectos técnicos determinaram o embargo imposto pelo país à soja brasileira. ''A meu ver, a liberação dos transgênicos provocou a comercialização das sementes tratadas, mas o relatório ainda está sendo feito'', disse.
Levantamento feito pelo ministério detectou que mais de 80% da soja disponível para mercado interno e para exportação não tem presença acidental de partículas tóxicas.
A mistura de uma semente tratada com fungicida por quilo de soja, como determinado pelo governo brasileiro, estabelece um nível muito seguro para a saúde humana. A informação foi dada pelo médico toxicologista e consultor da Abiove, Flavio Zambrone. Ele acompanhará missão do governo brasileira. De acordo com Zambrone, o limite estabelecido para o resíduo de alguns fungicidas tratadas é 0,1 miligrama.
''Para cada semente por quilo de soja, seria necessário, para uma criança de 30 quilos, o consumo diário de 30 quilos de soja para que se atingisse um nível que não fosse seguro'', disse. Zambrone contou que tentará, durante encontros com autoridades chinesas, entender os critérios adotados pelo governo chinês para recusar carregamentos de soja enviados pelo Brasil.


