Exportadores mudam perfil para não perder mercado
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de julho de 2006
Agência Estado 
Sao Paulo Fabricantes de calçados, móveis, alimentos e até de tecidos, produtos manufaturados com forte presença no mercado internacional, decidiram parar de lamentar os efeitos negativos da baixa cotação do dólar em relação ao real nas vendas externas e começam a virar o jogo das exportações. As alternativas para reverter a queda nas vendas incluem desde o aumento da fatia no mercado doméstico, passam pelo corte nos custos e chegam ao caso extremo, que é a ''exportação'' de fábricas para países vizinhos, como a Argentina.
A mudança no humor das indústrias exportadoras fica nítida na prévia da 160 Sondagem Conjuntura da Indústria de Transformação da Fundação Getúlio Vargas. Para 8% das 513 indústrias consultadas, o nível de demanda externa aumentou neste mês e para 13% houve queda. Em julho de 2005, 5% das companhias informaram que a demanda externa crescia e 28% disseram que recuava.
De acordo com a pesquisa, a diferença entre o porcentual de empresas que avaliam a demanda externa positiva e negativamente é hoje de 5 pontos porcentuais negativos, um resultado bem melhor do que os 23 pontos negativos de julho de 2005. Também está acima da média dos saldos dos últimos 10 anos, que é de 10 pontos porcentuais negativos.
''Até abril, o câmbio vinha sendo apontado como o vilão, o fator limitante da produção industrial'', observa o coordenador da pesquisa, Aloisio Campelo Jr. Na sondagem anterior, muitas empresas chegaram a fazer reclamações abertas contra o câmbio, principalmente o setor têxtil e de vestuário, lembra o economista. Ele ressalta que expectativas em relação ao mercado externo vinham se deteriorando gradativamente, mas agora algo mudou.
''Faz seis meses que abolimos a palavra crise'', afirma Paulo Santana, diretor comercial e de Marketing da Azaléia, a maior fabricante de calçados manufaturados do País. A empresa, que no fim de 2005 chegou a fechar uma fábrica no Sul, decidiu ampliar as vendas internas para compensar a queda de quase 60% nas exportações em 3 anos.


