Exportadores esperam equilíbrio no mês
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 1999
Agência Estado 
A balança comercial de fevereiro deve ficar praticamente equilibrada, segundo projeções da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). A estimativa para as exportações, segundo o diretor da entidade José Augusto de Castro, é de que elas ficarão em torno de US$ 2,9 bilhões, repetindo o resultado de janeiro. A análise sobre as importações indica que o resultado ficará pouco abaixo de US$ 3 bilhões, montante inferior aos US$ 3,7 bilhões apurados em janeiro.
Para o especialista em comércio exterior, as exportações apresentarão resultado mais fraco em fevereiro deste ano em relação ao mesmo mês do ano passado, quando totalizou US$ 3,7 bilhões, em consequência das dificuldades de financiamento de linhas de Antecipação de Contrato de Câmbio (ACC).
Castro lembrou que os exportadores não tiveram muito tempo para aproveitar a desvalorização porque houve uma enxugada nas linhas de ACC no mercado, em função da dificuldade de captação externa com o aumento do risco Brasil.
Ele destacou ainda que o resultado das importações, em fevereiro, já refletirá a retração das compras no exterior por conta da desvalorização do real. O diretor da AEB ressaltou ainda que a volatilidade do câmbio também inibiu os negócios com importações.
A projeção sobre o valor das importações esperado para este mês mostra queda na comparação com os registros do mesmo mês de fevereiro do ano passado, quando foi totalizado US$ 3,8 bilhões em importações.
As projeções da AEB indicam na realidade uma forte queda no volume de movimentação no comércio exterior. A soma dos negócios com importações e exportações, em fevereiro de 1998, totalizaram aproximadamente US$ 7,5 bilhões.
A estimativa da AEB aponta uma perspectiva de comercialização total de cerca de US$ 6 bilhões neste mês. Este é o resultado imediato da volatilidade do câmbio e do aumento do risco Brasil, que afetaram a tomada de decisões dos importadores e o volume de financiamento para o setor exportador.
O resultado da balança comercial de janeiro não chegou a surpreender o especialista. Castro lembrou que o setor espera impacto positivo expressivo da desvalorização sobre as exportações apenas a partir de abril, quando começarão os embarque que estão sendo fechados agora. Ele lembrou que a maior parte dos produtos tem uma cadeia de produção lenta.
No que diz respeito aos números de importação, o diretor da AEB disse que o déficit esperado era de US$ 1 bilhão, mas o governo decidiu alterar no dia 25 de janeiro o período de vigência do dólar fiscal. Castro explicou que, para fins fiscais, a cotação de R$ 1,20 deveria valer até o dia 31 de janeiro, o que estimularia um adiantamento das compras no exterior. Mas houve a alteração a partir do dia 26 e o preço para a contabilidade fiscal passou a ser a média da cotação do dólar do dia anterior, inibindo as importações. O déficit de janeiro totalizou US$ 754 milhões.


