Brasília - Representantes de empresas exportadoras de carne bovina, suína e de frango vão se reunir hoje em Brasília, com o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Gabriel Alves Maciel. No encontro, discutirão a estratégia para reverter o embargo imposto por vários países ao produto nacional em consequência da descoberta de focos de febre aftosa no extremo sul de Mato Grosso do Sul. O Ministério da Agricultura investiga a suspeita de dez novos focos naquela região, além dos cinco oficialmente confirmados.
Há diferentes estimativas sobre o impacto dos embargos às vendas de carne ao exterior. O presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Carne (Abiec), Marcus Vinicius Pratini de Moraes, estimou uma queda imediata de 30% nos embarques.
Até agora, União Européia, Argentina, Chile, África do Sul, Israel, Rússia e Cuba anunciaram oficialmente algum tipo de embargo às carnes brasileiras. As restrições variam. Elas valem para todo o País, para alguns Estados ou só para Mato Grosso do Sul, dependendo do país importador. A Rússia, importante destino da carne brasileira, suspendeu apenas as compras de Mato Grosso do Sul. O comércio externo de carne rendeu US$ 2,5 bilhões entre janeiro e setembro.
Outro assunto que será discutido é a possibilidade de o Brasil proibir as importações de pintos, aves, ovos e material genético de países que registraram focos de influenza aviária. A proibição é uma medida para barrar a entrada da doença no País.
Enquanto negocia a retomada do comércio de carnes no mercado externo, o governo investiga a possibilidade de haver dez novos focos de febre aftosa no município de Japorã. ''As suspeitas estão aparecendo. Temos algumas'', disse um técnico da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, em Brasília. Japorã fica dentro da área que o governo isolou desde o início da crise. A cidade é vizinha a Eldorado, onde o primeiro foco foi encontrado.
Além das dez ''suspeitas'', o governo já enviou para exame material genético colhido de outros dois focos suspeitos. As amostras estão sendo analisadas pelo Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro), de Belém (PA).
Rodrigues - A Comissão de Agricultura do Senado aprovou ontem dois requerimentos convidando o ministro Roberto Rodrigues (Agricultura) a explicar os focos de febre aftosa que atingiram algumas propriedades em Mato Grosso do Sul. O primeiro requerimento foi feito por um grupo de senadores - entre eles Pedro Simon (PMDB-RS), Cristovam Buarque (PDT-DF) e Paulo Paim (PT-RS) - e convida o ministro a prestar esclarecimentos. O outro pedido foi apresentado pelo senador Gilberto Goellner (PFL-MT) e prevê a realização de uma audiência pública com Rodrigues, técnicos do ministério e especialistas no assunto.

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