São Paulo - A desaceleração da economia chinesa não deve afetar as exportações de soja do Brasil para o gigante asiático. Ao contrário, a tendência é de crescimento, diz Sérgio Teixeira Mendes, diretor-geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). ''A China está arranhando a sua potencialidade em comida. Muitos chineses ainda não têm o padrão de alimentação do Primeiro Mundo e eles estão buscando isso. Imaginamos que (as compras) devam crescer'', diz. César Borges de Sousa, vice-presidente da Caramuru, acrescenta: ''Mesmo com a crise mundial ou um arrefecimento da economia, o alimento normalmente é o último item a ser cortado.''
O diretor-geral da Anec reconhece a dependência brasileira da demanda chinesa, mas afirma que a China também depende do Brasil para satisfazer as suas necessidades. ''É uma via de mão dupla. A China sabe que somos o único país com possibilidade de aumento de produção'', afirma ele. ''Não temos como forçar os outros a comprar no lugar da China'', diz.
Para o vice-presidente da Caramuru, é pouco provável encontrar outros compradores que substituam a China, mas diversificar o leque de produtos exportados pode ser uma alternativa de pulverizar essa dependência. ''Não só vender matéria-prima, mas aumentar os embarques de produtos de valor agregado. O problema é que é um produto só'', revela.
De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), cerca de 75% do volume de soja brasileira embarcado em abril teve como destino a China. E a quantidade exportada naquele mês quase se equiparou a tudo o que foi exportado para o país asiático no primeiro trimestre deste ano.

mockup