Curitiba - Os produtores de soja que exportam pelo Porto de Paranaguá podem perder o melhor momento do grão no mercado se a situação do porto não melhorar tanto a paralisação quanto a logística , apontam especialistas.
Historicamente essa é a segunda melhor cotação da soja no mercado mundial (cerca de US$ 10,00 o buchel), porém a soja brasileira precisa ser toda escoada antes do início da próxima safra norte-americana, pois se não houver quebra da safra nos Estados Unidos o preço do produto, possivelmente, deve baixar.
No momento, o prêmio negativo (cerca de US$ 1 a menos por buchel), os armazéns lotados, o frete dos caminhões e o demorrage (estadia) dos navios já estão onerando os produtores.
De toda a soja brasileira exportada, 30% saem pelo Porto de Paranaguá, o segundo maior do Brasil. E a produção deveria ser escoada até no máximo no mês de agosto. Porém, a paralisação e a lentidão nas operações do porto podem fazer com que esse prazo se alongue.
''Em setembro os Estados Unidos começam a colher e se a safra for normal, 80 milhões de toneladas, o preço do buchel vai cair pelo menos US$ 2,73, um prejuízo bastante grande'', explica o economista e engenheiro agronômo, Eugenio Stefanelo.
Já os prejuízos que os produtores estão tendo agora podem ter um efeito cascata, acredita Stefanelo, pois se o produtor tem menos receita, recolhe menos imposto e deixa de fomentar uma parte do comércio e da indústria.
O economista Elio Winter lembra que, mais uma vez, o produtor está arcando com todo o ágio. O Brasil deve ser, até 2007, o maior produtor de soja do mundo, porém, segundo ele, é preciso que, ao contrário do que está acontecendo hoje, o escoamento seja bem feito.
''Esse mal funcionamente reflete no País todo. Muitos empresários desistem de comprar porque não sabem o que vai acontecer com os navios quando chegaram aqui'', acredita.
Winter lembra que os caminhoneiros ainda não sabem de quem vão receber pelos dias parados na estrada, já que há impasse entre o porto e os produtores. (Leia mais sobre a paralisação no Porto de Paranaguá na página 1 deste caderno)

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