Exportadores de soja acusam China de ''terrorismo comercial''
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quarta-feira, 21 de julho de 2004
João Baumer<br> Agência Estado 
São Paulo - Os exportadores de soja continuam muito preocupados com a falta de transparência da China quanto às regras para importação. Ontem, um oficial do Ministério da Quarentena da China teria dito que não houve acordo para tolerância à presença de sementes em cargas comerciais com o Brasil, nem com qualquer outro país fornecedor. A informação, divulgada pela Dow Jones, indica que o regime de tolerância zero para sementes poderia prosseguir nos portos chineses. ''Estamos muito preocupados porque o assunto ainda está muito confuso'', disse o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Carlo Lovatelli.
O ambiente entre os exportadores, segundo o executivo, é de insegurança e incredulidade. ''Vamos insistir na criação de um grupo técnico para elaboração de regras claras para a importação de soja pela China, com representantes dos governos chinês, norte-americano, brasileiro e argentino'', disse Lovatelli.
Associações de exportadores do Brasil, Argentina e Estados Unidos assinaram no início de julho um documento conjunto solicitando aos seus respectivos governos que atuem para o estabelecimento de normas para o comércio mundial do complexo soja que sejam aceitas pela China, e por meio das quais os importadores e o governo chineses possam ser cobrados.
Hoje, os signatários do ''ofício panamericano'' promovem uma teleconferência para discutir novas ações. Outras associações ligadas ao mercado mundial de soja, da Europa e do Canadá, demonstram interesse e estão aderindo ao movimento dos três maiores exportadores mundiais de soja, segundo Lovatelli. ''Os chineses estão fazendo uma espécie de terrorismo comercial, mantendo os operadores de um mercado que sempre operou com transparência durante muito anos num clima de alta insegurança'', disse o presidente da Abiove.
No âmbito interno, Abiove e Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) pretendem retrabalhar a conscientização das autoridades federais sobre a gravidade do assunto, especialmente junto aos ministérios da Agricultura, Desenvolvimento, Relações Exteriores, Casa Civil e Palácio do Planalto. Na próxima semana as entidades se reúnem com Luiz Augusto Castro Neves, embaixador que está sendo transferido do Paraguai para a representação brasileira em Pequim. ''Queremos expor os fatos a ele, e municiá-lo para eventuais negociações'', disse Lovatelli.
Representantes de todos os signatários do ''ofício panamericano'' também já fizeram consultas informais junto aos embaixadores dos respectivos países na Organização Mundial do Comércio (OMC), informa Lovatelli. ''A intenção é manter os embaixadores na OMC informados sobre os acontecimentos'', explicou. ''Nós vamos brigar por normas claras de importação na China, seja em que fórum for'', concluiu.


