Exportadores de carne prevêem US$ 100 milhões em perdas
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quarta-feira, 02 de novembro de 2005
Folhapress 
Brasília - Os exportadores de carne bovina prevêem que este mês será o ''olho do furacão'' para o setor por causa da febre aftosa. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) estima que as perdas neste mês, em comparação com outubro, sejam de US$ 100 milhões, caindo de US$ 215 milhões para US$ 115 milhões -ou 46,51%. ''O olho do furacão deve se estabelecer neste mês'', afirmou ontem o diretor-executivo da Abiec, Antonio Camardelli, após reunião com o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues.
O recuo das exportações de carne em outubro em relação ao mês anterior foi de US$ 68 milhões, ou 24%. Os números incluem carne ''in natura'' e industrializada. A estimativa da Abiec para vendas ao exterior neste ano caiu de US$ 3 bilhões para US$ 2,8 bilhões. O ministério divulgou que o prejuízo causado pela febre aftosa nas exportações deve chegar a US$ 1,7 bilhão no período de seis meses que deve durar o embargo às carnes brasileiras.
Na avaliação da Abiec, este deve ser o pior mês para as exportações, já que o primeiro foco em Mato Grosso do Sul foi anunciado em 10 de outubro e há a aposta que as reversões dos embargos anunciados por 49 países comecem neste mês, mas ganhem fôlego em dezembro.
Foi justamente o trabalho para reverter as restrições a produtos brasileiros o assunto da reunião de ontem em Brasília. As medidas acertadas no encontro foram a divulgação contínua de informações técnicas e convite a países compradores para visitar o Brasil e verificar a implantação das medidas. A União Européia, que reúne 25 países e restringiu carnes de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná, é uma das prioridades. ''A Europa é um tópico especial, pois é a única alternativa que temos para exportar carnes nobres'', afirmou Camardelli.
Também ficaram acertadas visitas a países que estariam utilizando barreiras sanitárias como artifício comercial. Camardelli cita o Chile como exemplo. Terceiro maior comprador de carne bovina em 2004 (US$ 198 milhões), o Chile decidiu proibir a importação do Brasil, não importando o local de origem.


