A Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB) está comemorando as medidas anunciadas pelo governo de estímulo às exportações. Segundo o superintendente da AEB, José Augusto de Castro, é cedo para fazer estimativas sobre saldo comercial, mas as últimas decisões aumentarão as exportações e provocarão uma queda no ritmo de crescimento das importações em 1998. ‘‘Preferimos não arriscar a prever saldos, porque, com essa crise internacional que se vislumbra, esperamos uma retração mundial no comércio mundial’’, disse Castro. De qualquer forma, internamente, a AEB está otimista. O fundo de aval para pequenas e médias empresas, uma antiga reivindicação da AEB anunciado ontem, deverá criar cerca de 200 mil empregos na indústria brasileira, segundo Castro.
A AEB chegou a esse número levando em conta que para cada US$ 1 bilhão de produtos manufaturados são gerados 70 mil empregos e o próprio governo estimou em US$ 2,8 bilhões o volume de exportações realizado a partir do aval do fundo (formado com os R$ 300 milhões relativos a conta não-identificadas). Ao contrário das grandes companhias, as menores utilizam muito mais mão-de-obra na sua produção.‘‘Esse fundo permite às empresas de médio e pequeno porte terem garantia para buscar financiamento, antes elas não tinham acesso e não podiam exportar’’, comentou Castro. Segundo ele, por conta do fundo de aval cerca de 20 mil novas empresas exportadoras surgirão no mercado brasileiro.
O superintendente da AEB, considerou importante a permissão para contratação de Antecipação de Contrato de Câmbio (ACC) para produtores de insumos de produtos voltados para exportação, anunciada ontem e que faz parte do ajuste fiscal. Entre os benefícios da medida, ele destaca a equiparação do custo financeiro doméstico com o internacional. Ou seja, queda do custo de produção doméstico, menor preço de venda e, por consequência, maior competitividade externa. ‘‘Podemos dizer que o ACC é uma desvalorização cambial localizada, uma vez que está tornando o produto competitivo sem mexer no câmbio’’, avaliou Castro.
Além de estimular a exportação, a medida acabará desestimulando a importação de insumos. ‘‘Hoje temos financiamento a juros internacionais para importar insumos e passaremos a ter financiamento a juros internacionais para o produto nacional, o que terá um duplo benefício na balança comercial.’’

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