Rio de Janeiro Empresas francamente exportadoras, com mais da metade das vendas para o exterior, já projetam investimentos mais fracos para 2006 por causa do câmbio. Os dados são de levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV) feito a pedido da Agência Estado. O trabalho mostra que a parcela de empresas que prevêem redução de investimentos neste ano supera a fatia que projeta aumento. No fim de 2005, quase dois terços dessas companhias (62%) previam investir mais; essa parcela caiu para um quarto do total (24%) este ano. O grupo que estimava queda de investimento quadruplicou, de 6% para 28%. ''O resultado foi bem pior'', diz o coordenador da sondagem da FGV, Jorge Braga.
O economista da Fundação Centro de Estudos em Comércio Exterior, Fernando Ribeiro, também alerta para o risco da queda de investimentos. Dentro de três a cinco anos, diz, as exportadoras podem não ter capacidade produtiva suficiente para atender aos mercados interno e externo ao mesmo tempo se não investirem, e ter de optar por um deles. Para ele, a pesquisa da FGV mostra que o câmbio desestimula investimentos.
A Bratac, que exporta quase 90% de sua produção de seda, deve investir este ano metade do que aplicou em 2005. ''Não há como investir mais, estamos com prejuízo desde setembro'', diz o gerente comercial, Shigueru Taniguti Junior. Por não ter como repassar aumento de preço, a Bratac tenta reduzir custos e já demitiu cerca de 400 pessoas desde 2004.
A pesquisa da FGV, realizada no fim de outubro, leva em conta mais de 70 empresas exportadoras, que somam faturamento anual ao redor de RS$ 50 bilhões. Sinais de retrocesso quanto a contratações também foram captados. Quase um terço das empresas (30%) prevê reduzir pessoal e 17% aumentar.
A Gnatus, que fabrica cadeiras e equipamentos para consultórios de dentistas, exporta 60% da produção, e vai manter os investimentos neste ano, diz o gerente de exportação, Antonio Pereira Lima. Em 2005, os ganhos foram inferiores ao previsto por causa do efeito do câmbio nas vendas. Para reduzir o problema, a empresa adotou medidas como negociação de reajustes com os importadores e ampliação do número de países para os quais exporta; concentrou venda em produtos de maior margem e desenvolveu um novo conceito de embalagem para reduzir o custo de frete. ''Por isso, apesar do câmbio, vamos crescer de US$ 15,6 milhões em 2005 para US$ 22 milhões este ano.''

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