Rio de Janeiro - Os problemas de infra-estrutura logística do País levam a perdas equivalentes a US$ 4,8 bilhões ao ano para os exportadores, levando-se em conta os cerca de US$ 80 bilhões exportados pelo Brasil no ano passado. No custo de capital das empresas exportadoras (ou seja, o que elas estão perdendo do que poderiam investir) a perda chega a US$ 1,2 bilhão a cada ano, segundo revelou estudo apresentado pelo diretor do Centro de Estudos em Logística do Coopead/UFRJ, Paulo Fleury.
Ele entrevistou as 100 maiores empresas exportadoras do País e concluiu que a necessidade de estocagem adicional média de 22 dias antes dos embarques dos produtos, por causa dos gargalos às exportações, provocam essas perdas. ''Os impactos desses gargalos são muito grandes sobre a eficiência e os custos das empresas exportadoras'', disse. Segundo ele, 65% das empresas entrevistadas disseram que os problemas de logística ''afetam muito'' as margens de lucro.
A análise do tempo gasto para escoamento das exportações no Brasil mostra que o tempo médio de transporte do produto até o local de embarque é de 27 horas, enquanto o tempo médio pra liberar a mercadoria nos portos alcança 52 horas. Por isso, segundo Fleury, as empresas têm de elevar o prazo de estocagem (em prazo médio de 22 dias por embarque) e minimizar ganhos ou acumular prejuízos. ''Das empresas entrevistadas, 80% disseram que os impactos dos gargalos são aumentos de custos muito elevados'', disse.
Segundo ele, o estudo mostrou ainda que os problemas logísticos vão além dos portos e atingem todos os modais de transportes do País. ''Não adianta olhar só para os portos, pois para chegar neles é preciso usar outros meios de transporte'', disse. Fleury explicou que o transporte marítimo tem ''domínio absoluto'' na infra-estrutura logística de exportações do País, já que 95% das exportações brasileiras são feitas por navio.
O estudo mostrou também que ''há um déficit de 15 anos'' de investimentos em infra-estrutura de transportes no Brasil. Segundo Fleury, em 1995 os investimentos em transportes atingiam 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB) e, desde 1999, não ultrapassaram 0,2% do PIB, chegando a 0,15% no ano passado. ''Existem grandes barreiras a serem vencidas, o País perdeu capacidade de planejamento integrado da infra-estrutura de transportes e o problema vem vindo de vários governos'', disse.

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