Exportador migra para Porto de Santos
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quinta-feira, 10 de setembro de 1998
Vânia Casado 
Os exportadores de açúcar, que até o ano passado recorreram ao porto de Paranaguá para escoar a produção, agora estão preferindo o porto de Santos. A previsão da operadora Marcom, que atua em Paranaguá, é movimentar 20% menos em relação ao volume movimentado no ano passado. Outra operadora, Willians - Serviços Marítimos também confirma a preferência pelo porto de Santos.
Entre os motivos que contribuem para essa evasão estão a automatização dos terminais do porto paulista, que reduz o custo naquele porto, e a revisão na estrutura de tarifas, segundo o diretor da Marcon, Hélcio de Andrade Torres Filho.
Com todas essas alterações, as agências marítimas estão se voltando ao porto de Santos, afirmou Torres. Segundo ele, a vantagem de Paranaguá é a carga de retorno. Muitas transportadoras preferem o porto paranaense pela possibilidade de levar adubo e malte para as zonas de produção. Mas agora, outros custos estão pesando na planilha, ressaltou. Torres explicou que a evasão de mercadoria ocorre mais com o açúcar ensacado do que o açúcar a granel. Isso porque o porto de Paranaguá tem um bom equipamento para exportar o produto a granel.
A superintendência do porto de Paranaguá confirma a redução nos embarques de açúcar ensacado. Entre janeiro e agosto de 1997, foram embarcadas 461.933 t de açúcar ensacado. Esse ano foram embarcados, no mesmo período, 305.112 t. Em compensação o embarque de açúcar a granel triplicou. Nos primeiros oito meses do ano passado, foram exportados por Paranaguá 368.044 t. Esse ano, já foram exportados 1.056.139 t.
Apesar disso, as agências marítimas não reduzem as críticas ao desempenho de Paranaguá. Para Torres, chegou a hora de Paranaguá ajustar sua planilha de custos de forma geral. O ajuste inclui a revisão dos custos da mão-de-obra e das tarifas portuárias.
Além disso criticou a falta de berço específico para atracar os navios de açúcar. Enquanto em Santos tem 50 berços, sendo dois exclusivos para o açúcar, em Paranaguá tem apenas 14 berços, disse.
O presidente do Sindicato dos Estivadores, Ubirajara Maristani, também confirmou que o porto de Paranaguá está perdendo carga de açúcar para o porto de Santos, mas ressaltou que isso não deve ser debitado somente na conta do trabalhador.
Mão-de-obra Ocorre que os terminais do porto de Santos que operam com açúcar estão automatizados e empregam entre cinco e seis trabalhadores. Enquanto isso, em Paranaguá uma operação normal para embarque de açúcar emprega 12 homens. É claro que não existe condições de competir, disse.
Para Maristani, os sindicatos já reduziram o custo da mão-de-obra no porto e ninguém fala disso. A taxa de conferência baixou 50% e da estiva 20%.
O sindicalista criticou também a falta de equipamentos modernos no Porto de Paranaguá. Ele afirmou que para o ano que vem as exportações de açúcar a granel serão mais reduzidas. Deverão ser embarcados somente 500.000 t de açúcar entre sacaria e granel pelo porto de Paranaguá. Segundo o sindicato, em 1996 foram embarcados 700.000 t.


