São Paulo - A queda do dólar não assusta o trader e especialista em comércio exterior Joseph Tutundjian. Para ele, o Banco Central (BC) não precisa - e não deve - intervir no mercado cambial. ''Não tenho uma visão intervencionista para dar uma certa estabilidade no câmbio. Se os indicadores macroeconômicos do Brasil e o comportamento político para fazer as reformas forem perseguidos, a faixa de cotação do dólar será equilibrada e não trará a necessidade de o BC intervir'', disse Tutundjian.
O especialista disse ser a favor de uma curva do dólar mais próxima aos R$ 3,00, como citou recentemente o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, do que em torno de R$ 3,20, conforme declarou o ministro do Planejamento, Guido Mantega. ''A cotação da moeda de R$ 2,90 a R$ 3,10 seria ótima para o exportador'', afirmou.
De acordo com ele, mais importante do que o nível do câmbio, é uma perspectiva de flutuação dentro de limites, mas sem imposição de bandas. ''Para o exportador, o mais importante é a expectativa do mercado de que o câmbio não terá flutuações violentas, evitando a especulação, que é extremamente negativa'', avaliou.
Tutundjian disse também que o recuo do dólar não deve prejudicar as contas externas e nem o saldo da balança comercial, que chegará ao final do ano, segundo prevê o especialista, em torno de US$ 17 bilhões. ''Seria em torno de US$ 20 bilhões, não fosse a guerra.'' Para o dólar, a expectativa é que a moeda feche 2003 entre R$ 3,10 e R$ 3,20, já com o ajuste da inflação, que deve encerrar o ano em torno de 12%. ''O que me anima mais, é que o dólar está se valorizando no mercado internacional.''

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