A decisão do governo brasileiro de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as restrições da Argentina às exportações de frango foi aplaudida pelo presidente da União Brasileira de Avicultura, Zoé Silveira d'Avila. Há mais de dois meses a medida havia sido analisada e examinada pelo Itamaraty e pelos exportadores brasileiros.
''É hora de tomar uma atitude. Sabemos que é muito difícil negociar com os argentinos, que querem ter razão em tudo. O Brasil tem sido muito tolerante com as atitudes deles, não só nessa questão do frango, mas em várias outras situações'', afirma.
Apesar das retrições, as exportações de aves crescem 30% em volume neste ano em relação a 2000 e a receita totaliza US$ 1,2 bilhão, garante Nildemar Secches, presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Frangos (Abepc) e da Perdigão.
Entre os meses de janeiro e julho de 2001, segundo dados da Abepc, as exportações de carne de frango registraram aumentos significativos que apontam para a previsão feita no início do ano de embarcar 1,1 milhão de toneladas, gerando receita de US$ 1,2 bilhão.
Neste período já foram embarcadas 686.556 toneladas que geraram divisas cambiais de US$ 735,6 milhões. O crescimento relativo em comparação com idêntico período do ano anterior é de 41% no volume e de 68% no financeiro. As exportações para o Mercosul, no entanto, caíram 52% para a Argentina.
A Argentina acusa o Brasil de estar praticando dumping. ''Ainda que a alegação fosse justa, a Argentina não poderia estabelecer, arbitrariamente, preços mínimos para o frango importado do Brasil, já que a OMC recomenda, para esses casos, a imposição de sobretaxa pelo país importador'', afirma d'Ávila.

mockup