Exportações vão aumentar
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sábado, 10 de agosto de 2002
Cíntia Cardosoe Érica Fraga<BR>Agência Folha 
São Paulo - O bom desempenho da balança comercial nos últimos dois meses foi mais do que um efeito temporário da alta do dólar. Para economistas, os resultados recentes são um sinal de que as exportações brasileiras finalmente começam a deslanchar, depois das repetidas frustrações dos últimos três anos.
''Ninguém começa a exportar carros da noite para o dia só porque o dólar ficou bom. Isso pode valer para soja, mas não para manufaturados'', diz Alexandre Schwartsman, economista-chefe da BBA Corretora, que elevou sua projeção de superávit de US$ 4,7 bilhões para US$ 7 bilhões em 2002 e espera saldo positivo de US$ 10 bilhões em 2003.
Segundo o economista, o dólar alto certamente favorece alguns setores. Porém o desempenho recente da balança comercial - que acumulava até julho saldo anual de US$ 4,1 bilhões - é também consequência do amadurecimento de investimentos feitos depois da mudança do regime cambial, em janeiro de 1999. É o caso dos setores de eletrônicos e de equipamentos de transporte.
A economista-chefe do BES Securities, Sandra Utsumi, concorda. Segundo ela, o desempenho favorável da balança em julho e neste mês pode ser atribuído às desvalorizações do real desde 1999: ''As consequências da desvalorização para a balança comercial não são imediatas. Os impactos da recente alta do dólar só serão sentidos nos próximos anos''.
As exportações brasileiras até que vão bem, se comparadas as do resto do mundo. Segundo dados do BBV Banco, as exportações dos principais países - que respondem por 80% do comércio mundial - caíram de 10% a 15% no primeiro semestre deste ano. As do Brasil tiveram retração menor, de 7,9%.


