São Paulo O fim das cotas mundiais para a importação de têxteis e vestuários terá efeito praticamente neutro no Brasil, pelo menos num primeiro momento. Uma projeção preliminar da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) indica alta de 25% nas exportações em 2005, para US$ 2,5 bilhões, por causa da maturação de investimentos e melhora na qualidade dos produtos brasileiros. Em 2004, foram US$ 2 bilhões, ante US$ 1,650 bilhão em 2003.
De acordo com o coordenador da área internacional da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), o economista Domingos Mosca, o grande temor da indústria têxtil exportadora brasileira é que aconteça uma queda generalizada dos preços, em torno de 10%, como resultado do aumento da oferta por parte de grandes produtores, como China, Índia e Turquia.
Esse recuo de valores já deveria ter se refletido nas encomendas para janeiro e fevereiro, feitas a partir de outubro, mas ainda não aconteceu. Pelo contrário. O monitoramento da Abit mostra que houve alta média de 2,1% nos preços no início do terceiro trimestre. ''Ainda assim, o mercado é dinâmico, e as condições podem mudar de um mês para outro'', disse o economista.
A eventual queda nos preços é considerada um efeito negativo do fim do regime de cotas. Mas o Brasil poderá se beneficiar em segmentos específicos, como o de toalhas felpudas. No ano passado, por exemplo, o País poderia ter vendido 90 milhões de unidades de toalhas felpudas ao maior mercado do mundo, o dos Estados Unidos, mas por causa das restrições foram 50 milhões. ''O fim das cotas apenas cria oportunidades'', afirmou ele.

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