Exportações sustentam aquecimento industrial, apesar dos altos juros
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terça-feira, 08 de abril de 2003
Jacqueline Farid<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro As exportações salvaram a indústria do desaquecimento do mercado interno provocado pela alta dos juros e permitiram aumento de 4,1% na produção em fevereiro, ante igual mês do ano passado. Os dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que os segmentos ligados ao mercado doméstico impediram uma reação mais vigorosa do setor, enquanto o crescimento foi garantido por setores vinculados às vendas externas, petróleo e agroindústria.
O chefe do Departamento de Indústria do instituto, Silvio Sales, disse que a importância das exportações e do setor agroindustrial para a indústria vêm sendo destacados desde o segundo semestre do ano passado, mas os dados de fevereiro confirmaram os sinais de retração do mercado interno.
Exemplo disso, segundo ele, é que no acumulado do primeiro bimestre, que registrou crescimento de 3,4% na indústria geral, os destaques de queda foram os segmentos que dependem da demanda doméstica, como têxtil (-4,8%) e farmacêutica (-9,6%). Por outro lado, os impactos positivos foram dados por segmentos que foram beneficiados pela exportação, como material de transporte, com 11,1% e mecânica, 11,4%.
Em fevereiro, o fator exportação e a produção de petróleo garantiram uma reação moderada da indústria. Segundo Sales, a ''trajetória suave'' de crescimento está explícita em todos os dados, como o aumento de 4,1% da produção em fevereiro, ante igual mês do ano passado (sob efeito do calendário, já que o mês deste ano teve mais dias úteis), e de 0,7% ante janeiro.
''A indústria apresentou essa recuperação suave em relação a dezembro do ano passado, mas ainda não há trajetória ascendente'', disse. O economista destacou que uma reação maior está sendo impedida pelo desaquecimento interno, coerente com as estatísticas de queda no rendimento real e nas vendas do varejo.
O aumento na produção em fevereiro, ante igual mês do ano passado, refletiu a expansão em 14 dos 20 ramos pesquisados pelo IBGE, com destaque para mecânica (11,9%, com motores diesel e máquinas agrícolas) e material de transporte (11,6%), puxado pelas exportações da indústria automobilística. A principal queda foi a do setor têxtil (-5%), voltado para o mercado interno.
As quatro categorias de uso pesquisadas apresentaram crescimento. O segmento de duráveis foi impulsionado pelas exportações de automóveis e cresceu 10,3% nessa base de comparação. Os bens intermediários (que respondem por 50% da pauta de exportações do País) mantiveram o desempenho positivo que vem sendo registrado desde abril do ano passado e cresceu 4,5%. Segundo Sales, essa categoria vem sendo puxada pela produção de petróleo e exportações.
Os não-duráveis tiveram desempenho mais modesto e cresceram 1,9%, sob impacto positivo de alimentos para exportação, como café (17,1%) e abate de animais (11,7%). Nessa categoria também houve queda de segmentos ligados ao mercado doméstico, como vestuário (-6,3%) e carburantes (gasolina e álcool para veículos de passeio), com queda de 14,7% devido aos aumentos de preços.
Houve estabilidade na produção de bens de capital (0,1%), que segundo Sales não apresentou sinal negativo ''por efeito indireto das exportações''. Isso ocorre, por exemplo, em bens de capital para agricultura (15,8%) e equipamentos de transporte (12,9%).


