Exportações somam US$ 47,7 bilhões em 96
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quarta-feira, 08 de janeiro de 1997
Agência Estado 
BRASÍLIA - As exportações brasileiras em 1996 somaram US$ 47,746 bilhões, informou ontem o Ministério da Indústria, Comércio e Turismo. O secretário de Comércio Exterior, Mauricio Cortes, declarou em entrevista coletiva que este volume é uma cifra inédita para o Brasil. Isso representou um aumento de 2,67% em relação às exportações de 1995. O setor que apresentou maior crescimento foi o de produtos básicos (11,1%), seguido pelo de manufaturados (3,24%). Houve queda nas vendas externas de semimanufaturados de 8,6%.
Mas o secretário alertou para a tendência de redução na taxa de crescimento. As exportações de 95, em comparação com os dados de 94, tinham revelado um crescimento 6,25%. Segundo Cortes, essa queda da variação relativa em valor das exportações acompanha tendência das exportações mundiais.
As exportações mundiais cresceram 19,6% em 95, quando comparadas com 94. Já em 96, devem ter crescimento de apenas 5,6% em relação a 95, segundo publicações do Fundo Monetário Internacional (FMI) citadas por Cortes.
Essa desaceleração no crescimento das exportações mundiais está relacionada com o crescimento menor das economias desenvolvidas, como as européias, e com as quedas nos preços das commodities. Segundo Cortes, a desvalorização do iene em relação ao dólar em 96 também teria impacto nessa desaceleração das exportações mundiais.
Apesar disso, o secretário prevê um crescimento para este ano. O crescimento das economias da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), principalmente européias, está estimado em 2,5% para este ano. Vai haver aumento, embora modesto, da demanda internacional e é racional esperar um impacto positivo para as vendas brasileiras, disse.
Cortes argumentou também que os principais setores exportadores da economia brasileira estão se fortalecendo com a importação de bens de capital. Esses setores são os de fumo, madeira, móveis, frutas, calçados, têxteis, eletroeletrônicos, telecomunicações e mecânica. Tais setores teriam sido responsáveis pelo maior aumento das importações em 96.
No âmbito interno, os excedentes exportáveis brasileiros foram deslocados para atender à demanda doméstica, principalmente a partir do terceiro trimestre do ano passado. Cortes explicou que não serão adotadas medidas paliativas ou expedientes circunstanciais - como mudanças na política monetária ou cambial - para estimular as exportações.


