'Exportações rurais brasileiras deveriam valer mais por preservação'
Em palestra em Londrina, supervisor na Embrapa Territorial afirma que é preciso reforçar boas práticas ambientais dos agropecuaristas e evitar generalização por 'exceções que desmatam'
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terça-feira, 20 de agosto de 2019
Em palestra em Londrina, supervisor na Embrapa Territorial afirma que é preciso reforçar boas práticas ambientais dos agropecuaristas e evitar generalização por 'exceções que desmatam'
Fabio Galiotto - Grupo Folha 
O Brasil tem 30% do seu território protegido por lei, índice que é o triplo da média dos outros nove países com mais de 2,5 milhões de quilômetros quadrados de área e que o coloca na liderança mundial em proteção ambiental, segundo o supervisor do Grupo de Gestão Territorial Estratégica da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Territorial, Gustavo Spadotti Amaral Castro. Ele defende que o agronegócio nacional não seja demonizado por exceções que geram desmatamento e que o setor busque um reforço positivo sobre as boas práticas, que inclua a negociação de uma recompensa financeira no comércio exterior pelo trabalho do agropecuarista brasileiro.
Em palestra na terça-feira (20), na Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), Castro afirmou que há 219 milhões de hectares de preservação dentro de propriedades rurais no País, que dá, em média, 50% das áreas em posse de agricultores. A média é puxada para cima justamente por reservas protegidas por lei em áreas mais sensíveis, como as próximas à floresta amazônica.
No Paraná, 4,6 milhões de hectares são destinados à preservação da vegetação nativa dentro dos imóveis rurais, uma média de 29%. A legislação exige um mínimo de 20%. “Não é parque estadual. São áreas que os produtores rurais destinam em prol do meio ambiente”, disse o supervisor na Embrapa, que trabalha com análise de dados via satélite em todo o País.
Questionado por parte da plateia sobre notícias e aspectos negativos relacionados ao desmatamento e ao aumento de queimadas nos últimos meses, ele considerou que a grande maioria do setor não atua dessa maneira e, por isso, não pode ser demonizada. “Não queremos pensar em ter retrocessos ambientais, mas mostrar esse papel dos agricultores, que só querem paz para poder produzir sem que sejam taxados de poluidores e desmatadores.”
Para o supervisor na Embrapa, a categoria profissional é a que mais “tira do bolso, principalmente em área não usada, em prol do meio ambiente. “Nosso objetivo não é atacar a reserva legal e as APPs [Áreas de Preservação Permanente]. Respeitamos e queremos cada vez mais que a implantação do Código Florestal seja efetiva por parte dos agricultores, que vem um fazendo bom papel, mas não queremos que exceções sejam consideradas regras.”
O palestrante também sugeriu as entidades que representam o setor trabalhem para que o produto brasileiro seja valorizado no mercado internacional, e não sofra embargos. “Cada grão de soja que sai do Brasil precisa ter essa pegada ambiental implícita, por essas áreas destinadas à preservação, com valoração diferenciada em relação ao grão de soja que sai dos Estados Unidos, onde plantam por toda a área, poluem e não mantêm uma árvore para contar a história.”
O evento foi promovido pelas cooperativas Cocamar e Integrada, com apoio da Acil e da Embrapa.


