Exportações prejudicam oferta de café torrado
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sexta-feira, 13 de novembro de 1998
Vânia Casado 
A elevação do volume de exportação do café em grão está provocando escassez do produto no mercado interno. O reflexo da falta de matéria prima ainda não atingiu os preços ao consumidor, mas o diretor superintendente do Café Alvorada, Abdon Jorge Uadi acredita que o ciclo de alta virá em pouco tempo. Ele disse que a indústria está com muita dificuldade para conseguir a matéria prima, não só em função do aumento das exportações, mas também com a decisão do produtor de segurar a safra, para comercializar a produção em momento mais favorável.
Segundo a Abecafé (Associação Brasileira dos Exportadores de Café), as exportações brasileiras estão em alta há seis meses consecutivos. Com a ocorrência do furacão Mitch, que destruiu os cafezais dos países da América Central, a atenção dos compradores internacionais se voltaram para o Brasil. Só em outubro, a Abecafé contabilizou a exportação de 2,025 milhões de sacas de 60 kg, 51% superior às exportações no mesmo mês do ano passado. Após um primeiro semestre fraco (média de 930 mil sacas/mês), as exportações subiram para 1,9 milhão secas/mês entre julho e outubro.
Apesar da reação nas exportações de café, o Paraná não vem sendo muito beneficiado porque a participação do Estado no mercado externo não é expressiva, disse a técnica do Departamento de Economia Rural, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, Margorete Demarchi. Segundo ela, enquanto o porto de Santos (SP) exportou 1,3 milhão de sacas em outubro, o porto de Paranaguá exportou 3.090 sacas. Margorete disse que a maior parte da produção paranaense é consumida pelas indústrias.
No mercado interno o clima é de competição acirrada entre as indústrias, assinalou Uadi. A consequência desse quadro é a prática de preços fora da realidade. Segundo Uadi a lucratividade das empresas caiu muito e a indústria não terá condição de suportar esta situação por muito tempo, acrescentou. Uadi disse que os preços praticados estão próximos aos custos de produção, embora eles variem de uma empresa para outra em função da eficiência.
Para Uadi, a competitividade é natural. Mas desta vez, ela está sendo agravada pela entrada das multinacionais no país que estão capitalizadas e programadas para ter o retorno a longo prazo, a partir do quinto ou sexto ano. Enquanto isso, trabalham com preços próximos aos custos de produção até tornarem suas marcas conhecidas no mercado interno.Após dominarem o mercado, elevam suas margens, destacou.
Exportações
Segundo a Abecafé, em função do provável deslocamento de demanda da América Central para o Brasil, o volume exportado nos últimos dois meses do ano deverá superar 2 milhões de sacas por mês. Isto porque o Brasil é um dos poucos países com disponibilidade do grão. A colheita atual foi a maior dos últimos 10 anos mas os produtores não sinalizam disposição para vender a produção, apesar do furacão Mitch.
Os produtores estão de olho no mercado do ano que vem, que acena com preços melhores em função do volume menor de produção da safra 99/2000. Além disso a situação de indefinição econômica, com a possibilidade de desvalorização do real, poderia trazer um ganho para os detentores de produtos dolarizados como o café. A Abecafé informa que nos últimos meses a participação do Brasil nas exportações mundiais subiu de 22% para 30%.


