Exportações podem atingir a marca dos US$ 73 bilhões
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sábado, 18 de outubro de 2003
Agência Estado 
Rio de Janeiro - As exportações brasileiras podem crescer 21% em 2003, atingindo US$ 73 bilhões, apesar da forte valorização do câmbio, que saiu de R$ 3,53 no início do ano, para o atual nível entre R$ 2,80 e R$ 2,90, numa valorização do real de 24%. Em 2002, elas atingiram US$ 60,4 bilhões.
A estimativa é de José Augusto de Castro, diretor da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). ''Todos estão surpresos. A idéia era de que, no segundo semestre, nós íamos jogar para empatar, em termos de exportação. Mas estamos ganhando de goleada'', diz Castro.
É verdade que, por causa da defasagem entre o fechamento do câmbio nos contratos e as vendas efetivas, muitos exportadores ainda estão se beneficiando dos níveis de câmbio mais desvalorizado prevalecentes no início do ano. Mesmo assim, de acordo com vários analistas, o efeito da valorização do real em 2003 já devia estar tendo algum impacto nas exportações, caso de fato fosse tão decisivo como se julgava.
A estimativa de Castro para as exportações em 2003 é maior do que a média das projeções do mercado, colhidas pelo Banco Central (BC), que está em US$ 69,3 bilhões - um crescimento de 15% em relação a 2002. Mas as estimativas de mercado, que eram de US$ 64,5 bilhões no início do ano, vem crescendo paulatinamente, semana a semana.
O saldo comercial brasileiro, que acumulava US$ 23,7 bilhões nos 12 meses até a segunda semana de outubro, vem sendo sustentado pelo crescimento das exportações. Em 2003, o crescimento das exportações, comparado com igual período de 2002, já está praticamente em US$ 10 bilhões. A queda das importações no mesmo período, por outro lado, é inferior a US$ 1 bilhão.
A estimativa de Castro sobre o crescimento das exportações em 2003 é relativamente simples e linear. Até o dia 8 de outubro, as exportações acumulavam US$ 55,6 bilhões. A média diária de exportações em outubro está em US$ 351 milhões. Supondo que ela se desacelere para US$ 300 milhões nos 58 dias úteis até o fim do ano, após o dia 8, chega-se aos US$ 73 bilhões. Ele até titubeia quando menciona a sua projeção para o saldo neste ano: US$ 25 bilhões, bem acima da média das previsões do mercado.
Mesmo que a projeção de exportações de Castro se prove por demais otimista, é indubitável que as exportações brasileiras, contrariando inúmeras previsões, não sentiram ainda o peso da valorização do real de mais de 20% ao longo de 2003. O diretor da AEB atribuiu o fenômeno à contração do mercado doméstico. ''A retração do mercado interno foi tão forte, que as empresas se lançaram ao mercado externo com qualquer taxa de câmbio'', ele diz.
A contrapartida preocupante do seu raciocínio é de que, com o previsto reaquecimento da economia em 2003, o excepcional desempenho do comércio exterior brasileiro será interrompido. ''As empresas não estão investindo, estão sem capacidade. Este crescimento não é sustentável'', alerta.


