São Paulo - As exportações brasileiras para os países árabes cresceram 18% nos primeiros seis meses do ano em relação ao mesmo período de 2004, chegando a US$ 2,19 bilhões e superando as expectativas da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, de um aumento de 13%. Diante do desempenho positivo, o presidente da entidade, Antônio Sarkis Jr., acredita que a alta das vendas brasileiras para a região deve superar os 20% neste ano, já que o segundo semestre concentra os embarques de produtos do agronegócio.
Ainda assim, de janeiro a junho deste ano as exportações agrícolas cresceram 15%, para US$ 1,4 bilhão, acima da média nacional, de 10%. Os dados do primeiro semestre indicam que a balança comercial deve ser revertida em favor do Brasil neste ano. O superávit já atinge US$ 300 milhões. No ano passado, o déficit brasileiro com a região foi de US$ 100 milhões. ''Podemos dizer que caminhamos com certeza para um superávit'', afirmou.
O complexo carnes liderou as exportações para os países árabes no primeiro semestre do ano, em US$ 661 milhões, valor 32% acima do mesmo período do ano passado, com maior volume destinado ao Egito. Ainda no agronegócio, o açúcar tem a segunda posição, seguido por soja e café. Para este segundo semestre, a Câmara Árabe aposta na colheita dos resultados do trabalho de promoção comercial de manufaturados, como veículos, autopeças, equipamentos médicos e odontológicos, calçados, materiais de construção e móveis. ''São setores de grande potencial de crescimento'', disse Sarkis.
De acordo com o empresário, o que mais chama a atenção nas exportações brasileiras para os países árabes neste ano é que elas crescem forte mesmo com o câmbio desfavorável e sem dois itens que pesaram bastante na pauta no ano passado: trigo (US$ 112 milhões) e petróleo (US$ 85 milhões).
Para o executivo, o empresário brasileiro parece estar bastante consciente de que o mercado árabe tem um grande potencial e vale a pena continuar a exportar mesmo com o câmbio desfavorável. ''Não é uma pequena variação da moeda que vai acabar com o trabalho já realizado pelos fornecedores'', afirmou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um amplo trabalho de promoção comercial junto aos árabes. Ele visitou a região no início da administração e também organizou a Cúpula Mercosul-Países Árabes. ''Somado ao aumento das participações em feiras, esse trabalho do governo ajudou muito, porque os árabes preferem trabalhar com países e pessoas que conhecem'', afirmou.

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