O fim do embargo russo à carne bovina paranaense não deve contribuir para a elevação dos atuais preços da arroba. O aumento das exportações teria pouca influência porque 80% da produção é destinada ao mercado interno, restando apenas 20% para o comércio exterior. ''Os preços são ajustados conforme a oferta e a demanda dos frigoríficos. A cotação da arroba tende a subir, mas devido à queda dos abates, principalmente, de matrizes'', avaliou Maria Paula Valente, consultora de bovinos da FC Stone. Na entressafra, a tendência é que o preço da arroba atinja picos de R$ 85.
Segundo ela, nos últimos anos está havendo uma migração da produção pecuária para a Região Norte do País. Esse movimento ocorreu, principalmente, puxado pela rentabilidade dos grãos e da cana-de-açúcar, uma vez que muitas propriedades localizadas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste optaram por abandonar a pecuária, dando preferência aos grãos. Os baixos preços praticados nos últimos anos também fez aumentar em 16% os abates de fêmeas. O índice é dois pontos mais alto do que o registrado em 2006. ''Agora a tendência é da queda dos abates de matrizes'', comentou.
Os preços da arroba bovina têm sazonalidade de sete anos e, conforme Maria Paula, o momento é de transição. Hoje, a formação da cotação obedece também a influência da globalização, devido às exportações. Segundo ela, os frigoríficos trabalham com margens apertadas nos cortes, tirando o lucro principalmente de couros e derivados. ''O atacado é quem tem ganhado mais. E, por isso, para os frigoríficos as exportações são mais vantajosas, as exigências são compensadas pelo valor pago'', avaliou.(F.M.)

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