Exportações no agronegócio caem 6% no PR
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terça-feira, 27 de junho de 2006
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - As exportações no agronegócio paranaense tiveram queda de 6%, de janeiro a maio deste ano, o que representou uma perda em faturamento de US$ 219 milhões. Em 2005, o Paraná havia exportado, nos primeiros cinco meses do ano, US$ 3,79 bilhões, valor que caiu para US$ 3,57 bilhões, este ano. Em volume, o recuo foi de 14%: de 7,3 milhões de toneladas, em 2005, para 6,3 milhões de toneladas, este ano.
O levantamento é da economista do Departamento Técnico Econômico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Gilda Bozza, com base nos dados do Ministério da Indústria e Comércio. Segundo ela, a desvalorização do dólar frente ao real, os juros elevados e a excessiva carga tributária foram as principais razões para a retração nas vendas externas.
Convertendo esse desempenho negativo para o real, o prejuízo fica ainda mais evidente. Adotando um valor médio para o dólar, a perda de receita em função da política cambial é de R$ 1,34 bilhão em relação ao mesmo período de 2005. Aplicado o mesmo critério, as exportações totais do Paraná registram uma queda de 20%, passando de R$ 9,74 bilhões para R$ 7,81 bilhões, uma perda de receita de R$ 1,93 bilhão, valor que dividido entre os meses do acumulado representa um prejuízo de R$ 386 milhões por mês.
A política cambial restritiva já vinha comprometendo as exportações, no ano passado, lembrou Gilda. Mas, alguns produtos como a carne e o açúcar, com cotação em alta no mercado internacional, acabaram mantendo um certo equilíbrio. Outros setores, também, contribuíram para manter o cenário positivo nas exportações, como foi o caso da indústria automobilística, que tinha contratos a serem cumpridos.
Esse ano, no entanto, destacou a economista, além da soja, houve queda nas exportações de carne suína e praticamente nada se exportou de carne bovina, como reflexo da suspeita de febre aftosa. A preocupação com a gripe aviária também fez cair as exportações de frango. Somente na cadeia da soja (grão, farelo, óleo bruto e refinado, margarina e lecitina) a queda foi de 25% em volume, baixando de 3,92 milhões de toneladas para 2,93 milhões de toneladas.
Ainda de acordo com a Faep, alguns dos principais mercados importadores registraram variação negativa em relação ao mesmo período do ano passado, como Estados Unidos, China, França e Itália, entre outros. Em termos de blocos econômicos a União Européia registra variação negativa de 11% e Ásia apresenta queda de 13%. A exceção foi o Mercosul, com aumento de 31% das exportações, passando de US$ 327 milhões para US$ 429 milhões.
O assessor econômico da Faep, Carlos Augusto Albuquerque, acrescentou que a proibição do embarque de transgênicos no Paraná forçou os produtores a buscarem os portos de Santos (SP) e São Francisco (SC), o que também contribuiu para a queda nas exportações pelo Paraná. Essa questão, afirmou ele, já foi contornada. Falta, agora, o governo federal rever sua política cambial, que Albuquerque classificou como ''suicida''.


