Exportações não refletem nível atual do câmbio
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quarta-feira, 20 de novembro de 2002
Agência Estado 
Rio - O coordenador do Grupo de Acompanhamento Conjuntural (GAC) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Paulo Levy, acredita que o aumento das exportações e a substituição de importações na indústria ainda não refletem o aumento do dólar ocorrido neste segundo semestre. ''Acho que esse fenômeno não é efeito desse câmbio recente a R$ 3,80, mas da desvalorização de 20% da taxa real de câmbio em 2001 e talvez da desvalorização ocorrida no fim do primeiro semestre'', disse Levy.
Por isso, avalia, esse movimento da indústria ligado ao setor externo, que tem garantido algum crescimento do setor este ano, não será rapidamente revertido se o dólar cair. Ele argumenta que o processo de comercialização e aumento da fabricação na indústria demoram, e as decisões tanto do comprador quanto do exportador não se dão com base nas variações de curto prazo do dólar. ''Essas coisas levam um tempo. Não se troca de fornecedor rapidamente'', diz.
Levy destaca que o Brasil está fazendo um grande ajuste nas contas externas. A projeção do Ipea é que o déficit em conta corrente com o exterior (que inclui transações comerciais, de serviços e transferências unilaterais) diminua 2,6 pontos porcentuais do Produto Interno Bruto (PIB) este ano em relação ao fim do ano passado, quando estava em 4,6% do PIB, e no fim de 2003 caia para 1,5% do PIB.
''Um ajuste desses, de três pontos do PIB é coisa para caramba, é mais do que foi feito em 1982 e 1983, é um sinal de que o Brasil pode se financiar e isso trará de volta o financiamento externo'', considera Levy. Para ele, ''o duro é transitar para esses níveis reduzidos de déficit em conta corrente, mas uma vez lá, o superávit comercial não tem que ser crescente o tempo todo''.
Levy avalia ainda que ''superávit na balança comercial é ruim. É você produzir e não poder comer'', diz. Ele enfatiza ainda que o forte ajuste nas contas externas está sendo feito sem recessão.


