Brasília A balança comercial acumula este ano um superávit recorde de US$ 20,340 bilhões, segundo dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O saldo é resultado de um volume também recorde de exportações, que somam US$ 60,356 bilhões de janeiro a outubro, o equivalente ao que foi vendido ao exterior em todo o ano passado.
Comparadas aos primeiros dez meses de 2002, as exportações cresceram 20,7% este ano. Na mesma comparação, as importações aumentaram apenas 0,2%, para US$ 40,016 bilhões, o que permitiu o superávit recorde.
O valor das exportações em outubro foi um recorde histórico mensal, de US$ 7,566 bilhões, o que corresponde a uma média diária 16,9% maior que a do mesmo mês do ano passado. Com importações totais de US$ 5,023 bilhões em outubro, 17,3% acima do mesmo mês do ano passado, o saldo positivo ficou em US$ 2,543 bilhões, um resultado próximo do maior nível mensal registrado este ano, de US$ 2,673 bilhões, em agosto.
Segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Ivan Ramalho, por enquanto está mantida a previsão de um superávit de US$ 22 bilhões na balança comercial este ano. Embora no acumulado em 12 meses o superávit já esteja em US$ 23,415 bilhões, o secretário disse que não está revendo sua projeção para 2003 porque as vendas ao exterior devem ser afetadas por fatores sazonais nos últimos dois meses do ano, como a diminuição nos embarques de soja.
Para o ano que vem, a previsão é de que as exportações cresçam pelo menos 10%, mas o ministério não tem uma estimativa de quanto devem variar as importações em 2004 e, portanto, tampouco de saldo. O secretário ressaltou que, em outubro, pela primeira vez as exportações de manufaturados chegaram à marca de US$ 4 bilhões (US$ 4,014 bilhões) e as de produtos básicos ficaram em US$ 2,387 bilhões. Entre os produtos manufaturados, Ramalho destacou o aumento nas exportações de automóveis, para US$ 296 milhões, 29,3% mais que no mesmo mês do ano passado. As vendas de autopeças cresceram 37,7% na mesma comparação, para US$ 146 milhões, e as exportações de laminados planos, 92,7%, atingindo US$ 210 milhões.
No grupo de produtos básicos, as variações mais relevantes, segundo o ministério, foram um aumento de 37% nas exportações de soja em grão em outubro em relação ao mesmo mês do ano passado, para US$ 485 milhões. As vendas de minério de ferro subiram 87%, para US$ 491 milhões, e as de carne bovina, 74%, para US$ 144 milhões.
China As exportações para os Estados Unidos caíram 6% em relação a outubro do ano passado, para US$ 1,505 bilhão. Em compensação, as vendas para a China cresceram 60,3%, atingindo US$ 529 milhões, e para a Argentina as exportações aumentaram 119,8%, alcançando US$ 510 milhões.
O resultado das vendas para o quarto maior mercado para as exportações brasileiras, a Holanda, ficou em US$ 482 milhões, 29,2% acima do mesmo mês de 2002. Para a Alemanha, o quinto maior mercado, o Brasil vendeu US$ 374 milhões, 36,5% mais que no mesmo mês do ano passado.

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