Exportações garantem superávit parcial
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segunda-feira, 11 de agosto de 1997
Agência Estado Brasília 
Uma recuperação das exportações garantiu um superávit de US$ 186 milhões na balança comercial nas duas primeiras semanas de agosto, com exportações de US$ 1,473 bilhão e importações de US$ 1,287 bilhão. Mantida a média dos negócios observadas até o dia 10, o superávit pode chegar a US$ 651 milhões. Esta hipótese, no entanto, dependerá da evolução das importações nos próximos dias, já que tradicionalmente as compras no exterior aumentam a partir da segunda quinzena do mês. O que nos chama atenção é o fato de que a recuperação das exportações, observadas nos meses anteriores, não perdeu fôlego em agosto, comentou o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Roberto Mendonça de Barros.
Mendonça de Barros e o secretário de Comércio Exterior, Maurício Cortes, divulgaram dados que comprovam a recuperação das exportações, quando se compara os negócios realizados nos primeiros seis dias úteis do mês com igual período do mês passado. O País vendeu 87% a mais de soja e 55% a mais de produtos metalúrgicos, o mesmo se repetindo nas vendas de material de transporte (29%), produtos químicos (19%) e de produtos mecânicos que foram 24% maiores.
Esta recuperação pode ser analisada sob três aspectos: um efeito estatístico, de preço e quantidade exportada. O efeito estatístico aparecerá nos próximos meses, porque no segundo semestre do ano passado as exportações entraram em processo de queda. Ou seja, a base de comparação será menor nos próximos meses, principalmente em setembro.
O comportamento da balança comercial no ano, no entanto, ainda reflete o elevado nível das importações, embora se tenha observado uma queda no ritmo das compras. As exportações cresceram, no período, 4,12%, mas as importações avançaram em 25,92%. Assim, o superávit de US$ 114 milhões dos primeiros sete meses do ano passado se transformaram no déficit de mais de US$ 5, bilhões nos mesmos sete meses deste ano.
Os dados específicos do mês passado confirmam o déficit de US$ 811 milhões, provocado, basicamente, pelo persistente aumento de 53,8% nas compras de bens de capital (máquinas e equipamentos). Mendonça de Barros atribuiu a uma eventual antecipação de compras realizadas ainda com isenção do Imposto de Importação, conhecida como ex-tarifário. Embora a Petrobras tenha concentrado a importação de petróleo nos últimos dois dias do mês, as compras da empresa não foram pressão para déficit. Ao contrário, as despesas com combustíveis e lubrificantes foram 14,8% inferior ao total de agosto do ano passado.


