Exportações dos EUA para a China estão suspensas
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2002
AE-Dow Jones 
São Paulo - Os embarques de soja dos Estados Unidos para a China estão prejudicados por causa das regras chinesas para produtos de biotecnologia que devem entrar em vigor no mês que vem. A nova legislação, anunciada no ano passado, exige que os exportadores certifiquem a segurança da soja geneticamente modificada. Funcionários da indústria acreditam que poderão obedecer aos padrões, mas dizem que não há clareza sobre como vai funcionar o processo de certificação. As exportações para a China rendem anualmente US$ 1 bilhão para os produtores norte-americanos de soja.
Exportadores cancelaram contratos de embarques que não pudessem chegar ao país asiático antes do dia 20 de março, data em que as novas leis começam a valer. Juristas estão pressionando a China para dar mais tempo aos EUA para cumprir as regras.
É extremamente crítico para a soja, disse Barth Ruth, produtor de Nebraska, que é presidente da Associação Americana de Soja. A China se tornou nosso maior mercado nos últimos três anos. Cerca de dois terços da soja norte-americana é alterada geneticamente e resistente a pesticidas. A China comprou 5,2 mi/t do grão dos EUA no ano passado, ante 4,3 mi/t no ano anterior.
Os produtores vendem anunalmente 27 mi/t. Uma equipe de especialistas gastou uma semana na China, no início do mês, tentando sem sucesso resolver o problema. Não houve novas vendas, elas não poderiam seque r ser embarcadas, disse Mark Ash, economista do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O senador democrata Max Baucus, presidente da Comissão de Finanças do Senado, e o senador republicano Charles Grassley, escreveram ao governo chinês na última sexta-feira pedindo a prorrogação por 12 a 15 meses na implementação das novas regras, argumentando que o prazo é compatível com as práticas da Organização Mundial de Comércio, de que a China tornou-se membro em dezembro.
As regras atualmente escritas não são transparentes nem funcionais, escreveram os senadores. Os produtores rurais e exportadores não sabem precisamente que informações eles devem providenciar. Funcionários da embaixada chinesa não fizeram nenhum comentário.
De acordo com as autoridades norte-americanas, um dos problemas das novas regras é que não fica claro se cada carga deve ser certificada, ou se uma simples certificação pode abranger toda a soja. As regras permitem que a China demore até nove meses para aprovar cada certificação.


