Curitiba - O longo período de desvalorização do dólar frente ao real travou o crescimento das exportações do setor têxtil. Entre 2002 e 2004, as vendas externas das confecções paranaenses cresceram 356%, enquanto as exportações brasileiras do setor no mesmo período cresceram 60%. As indústrias de confecção vinham trabalhando com a perspectiva de elevar as exportações para 10% a 20% da produção, mas os empresários admitem que as dificuldades de conquistar o mercado estão aumentando, disse Valdir Scalon, presidente da Associação Paranaense da Indústria Têxtil e do Vestuário (Vestpar).
Segundo Scalon, o termômetro do setor vai acontecer no final do mês, na feira têxtil de Las Vegas (EUA), onde os empresários brasileiros tentarão negociar novos contratos em melhores condições. O empresário explicou que os contratos em andamento estão defasados por causa do dólar e ele não sabe se as exportações vão se manter com tendência de alta como está sendo esperado.
A perspectiva de crescimento das exportações de confecções brasileiras foi o que animou a participação dos expositores na 1 Conftec - Feira de Fornecedores da Indústria da Confecção, que começa hoje em Curitiba. O Paraná já se consolidou como segundo pólo têxtil do País e os fornecedores escolheram o Estado para mostrar o que existe de última geração em máquinas, equipamentos e insumos utilizados pelas confecções.
Outra preocupação dos empresários do setor com a valorização do real é o retorno da ameaça das importações de peças baratas da China. Segundo Scalon, hoje o Brasil mantém uma boa competitividade em peças de algodão. Mas ele admite que quando se trata de peças com fio sintético, a competitividade da indústria nacional desaparece.
O empresário destacou, porém, que a indústria têxtil brasileira é criativa e está procurando na customização, um meio de diferenciar e valorizar as roupas. Com isso, as empresas estão tentando elevar o valor em dólar das peças das novas coleções para compensar a perda com o câmbio. Por isso, ele acredita que a feira de Las Vegas será um bom termômetro para essas inovações. Se os clientes lá fora aceitarem a negociação, as confecções brasileiras vão conseguir manter as exportações, acredita.
No primeiro semestre deste ano, as vendas do setor para o mercado externo somaram quase US$ 950 milhões, o que representou um aumento de 8,56% em relação ao mesmo perído de 2004, informou a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). O Paraná, como segundo maior produtor de confecções do Brasil, exportou durante o período pouco mais de US$ 45 milhões. O Estado tem 95% de sua produção voltada para o mercado interno, mas já existe um trabalho voltado ao exterior, principalmente de exportação de camisas, calças e moda praia para países como Estados Unidos, Espanha e Itália.

Serviço
- 1 Conftec - Feira de Fornecedores da Indústria de Confecção, que acontece de 24 a 27 de agosto de 2005, no Centro de Exposições de Curitiba - Parque Barigui.

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