São Paulo - As exportações de junho, que bateram recorde, levam o governo a acreditar que a meta de US$ 100 bilhões em vendas externas poderá ser atingida em 2005, ou seja, um ano antes do previsto. De acordo com dados divulgados ontem pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, as exportações em junho totalizaram US$ 9,327 bilhões, cifra 51,2% acima da registrada em junho de 2003 e 17,5% superior ao resultado de maio. No ano, as exportações somaram US$ 43,306 bilhões, valor 29,1% acima do obtido entre janeiro e junho de 2003.
''Mais uma vez, batemos todos os recordes'', disse o ministro, sorridente, em entrevista à imprensa na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em São Paulo. ''Os números do semestre surpreenderam positivamente, tanto em exportações quanto em importações'', disse Furlan. O ministério já revisou a meta das vendas externas deste ano de US$ 83 bilhões para US$ 88 bilhões e, se as previsões do ministro se concretizarem e o desempenho deste ano se repetir no próximo, a meta de US$ 100 bilhões poderá ser atingida já em 2005. ''Os US$ 100 bilhões vão acontecer quando tiver de acontecer. No ano que vem ou em 2006, como previsto'', esquivou-se Furlan, que não gosta de fazer estimativas de longo prazo.
As três categorias de produtos tiveram bom desempenho em junho: manufaturados (US$ 4,59 bilhões), básicos (US$ 3,38 bilhões) e semimanufaturados (US$ 1,21 bilhão). Mas não foi só o aumento das quantidades embarcadas que permitiram a quebra de recordes no comércio exterior. O superávit da balança comercial teve ajuda dos preços no mercado internacional, principalmente no caso do petróleo, semimanufaturados de ferro e aço, carne suína, farelo de soja, café em grão e minério de ferro, entre outros.
Importações - Os dados divulgados pelo ministro mostram também que as importações estão crescendo. Em junho, as compras do exterior totalizaram US$ 5,517 bilhões e, no primeiro semestre, somaram US$ 28,257 bilhões. Com esses números, o superávit comercial em junho mostrou um recorde histórico mensal: US$ 3,810 bilhões. No ano, o saldo positivo já é de US$ 15,049 bilhões. Com as estimativas de chegar a US$ 88 bilhões em exportações e US$ 60 bilhões em importações, o ministro disse que o superávit este ano poderá atingir US$ 28 bilhões.
Furlan acredita que as compras no exterior no segundo semestre deverão crescer com maior velocidade do que a expansão das exportações. ''Isso não vai nos causar nenhuma preocupação'', afirmou. De acordo com ele, o impacto do crescimento das importações sobre a taxa de câmbio não terá grande influência porque o fluxo cambial continuará positivo.

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