As vendas de mercadorias do Paraná no mercado internacional alcançaram o maior valor da série histórica (desde 1997) em julho, cerca de US$ 2,2 bilhões. Alta de 6% na comparação com julho do ano passado. No período acumulado de janeiro a julho, as exportações estaduais também somam o maior valor em receitas cambiais da série, acumulando cerca de US$ 14,4 bilhões. Este resultado é 13% superior ao registrado no mesmo intervalo de 2022. Os dados foram fornecidos pela Secretaria de Comércio Exterior, do Governo Federal.

Já as importações do mês recuaram 36% frente a julho do ano passado, chegando a US$ 1,3 bilhão. E na somatória do ano estão em US$ 10,4 bilhões, uma redução de 19% na comparação com o mesmo período de 2022.

Dessa forma, o saldo da balança comercial paranaense somou US$ 837 milhões em julho. E, de janeiro até agora, já acumula US$ 4 bilhões, a melhor performance da série histórica. Até então, o melhor resultado havia sido em julho de 2005, quando o saldo comercial chegou a US$ 600,5 milhões, valor 39% inferior ao obtido agora.

“O desempenho da atividade de comércio exterior é muito positivo. Quanto maior o superávit, mais dinheiro circula na economia do Paraná e mais recursos estarão disponíveis para investimentos, implementação de políticas públicas e melhorias em infraestrutura no estado, por exemplo”, diz o analista de Assessoria Econômica e de Crédito da Fiep, Evânio Felippe.

De acordo com ele, as vendas do Paraná ao exterior aumentaram tanto em volume quanto em receitas cambiais. “Esse comportamento está atrelado à maior capacidade de inserção das nossas empresas no mercado internacional. Elas estão buscando diversificar e aumentar as vendas de seus produtos no cenário internacional”, explica. Segundo Felippe, após a pandemia e o cenário de guerra, houve grande oscilação de preços no exterior e os produtos nacionais, por sua característica de qualidade e preço, ficaram mais atrativos no mercado externo. “Isto envolve uma decisão corporativa, mas em alguns setores – como de alimentos – ficou mais vantajoso exportar produtos do que comercializá-los aqui no Brasil”, completa.

MERCADOS E PRODUTOS

Hoje, a pauta de exportações paranaense é formada basicamente por comodities como grãos, carnes, alimentos e petróleo, produtos valorizados internacionalmente. Em julho, a economia paranaense exportou mercadorias para 164 países. Mais de 47% estão concentrados em cinco países. O destaque é o mercado chinês, para onde foram exportados 27% do total. Também se destacam Argentina (6,7%), Coreia do Sul (5,6%), Estados Unidos (5,5%) e México (2,8%).

Desde janeiro até julho, as vendas paranaenses para China e Argentina aumentaram 49% e 46%, respectivamente, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Já o mercado norte-americano registra queda de 23% nas negociações com o estado em 2023. México (com alta de 42%) e Coreia do Sul (24%) completam o ranking.

Em relação às importações, foram registradas negociações do Paraná com 98 países. Em cinco deles estavam 51% do total dos produtos adquiridos no mês. A economia chinesa é o destaque, responsável por 21% do total vendido ao Paraná, sendo a maior parte produtos químicos (42%) e máquinas e equipamentos (13%). Mesmo com a alta demanda na Ásia, no acumulado do ano, o estado contabiliza uma redução de 32% em compras de produtos vindos da China e de 37% dos Estados Unidos. Já Rússia e Argentina vem ganhando espaço no mercado brasileiro. Ambas acumulam 45% de crescimento nas vendas ao Paraná em 2023.

Segundo o levantamento, o produto mais vendido em julho foi soja (34%), seguido por carnes (12%), açúcar (7%), material de transporte (6%) e mecânica (5%). De janeiro até julho, não muda muito. Soja, carnes, material de transporte, madeira, mecânica e cereais completam a lista dos principais itens exportados.

As importações do mês se concentraram principalmente em produtos químicos (34%), material de transporte (13%), mecânica (12%), petróleo (10%) e materiais elétricos e eletrônicos (6%). Também no acumulado do ano estes foram os produtos mais comprados pelo estado.

Com relação ao câmbio, a taxa média praticada no país foi de R$ 4,8008 por dólar (para venda), uma apreciação de 1% da moeda brasileira na comparação com o mês anterior e de quase 11% frente a julho do ano passado. O que não muda em muito o cenário da boa fase para as exportações paranaenses.(Com Agência Fiep)